Doutor Carlos Leite

14 de dezembro de 2008

Alimentação no segundo semestre

Arquivado em: Pediatria — admin @ 23:45

 

Parabéns se você conseguiu mantê-lo só com o seio até agora, vencendo a parte mais importante de seu desenvolvimento. A partir de agora, mesmo que continue a amamentar, é necessário que você introduza alimentos novos na sua dieta.

O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria sintetizaram em 10 passos essa fase de transição, mas tenha sempre em mente a pirâmide da boa alimentação.

1 – Leite materno exclusivo até os seis meses.

2 – A partir dos seis meses, além do seio, faça introdução gradual de outros alimentos. Na ausência de leite materno, use fórmula infantil de seguimento.

3 – A primeira refeição salgada deve ser oferecida a partir do sexto mês, usando sal e óleo vegetal com         moderação, cereais e tubérculos (arroz, milho, macarrão batata, mandioca, inhame) carnes (de vaca, vísceras, frango, peixe), leguminosas (feijão, soja, ervilha, grão de bico), verduras (agrião, couve, alface, taioba), legumes (cenoura, abóbora, chuchu, beterraba) frutas preferindo aquelas da época (melhor qualidade e mais baratas). Deve ser pastosa (amassada), oferecida na colher: soprá-la para esfriar pode provocar contaminação. Somente a carne e as verduras podem ser batidas no liquidificador, sem diluição para manter densidade energética.

4 – Evite rigidez de horários e aceite flutuações do apetite.

5 – Ofereça alimentos espessos, na colher, desde o início.

6 – Varie o cardápio para evitar monotonia.

7 – Estimule o uso diário de verduras, legumes e frutas (estas podem ser oferecidas como sobremesa, em forma de papas ou sucos).

8 – Evite açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas e guloseimas.
         9 – Os alimentos devem ser preparados com toda higiene e carinho.

10 – Estimule, que mesmo doentes, recebam alimentação normal.

 

Outras recomendações:

 

Agora é necessário que você ofereça água pura (ele deve saber que se sacia a sede com água e não sucos doces ou refrigerantes) várias vezes por dia, sobretudo no verão.   

Já é hora de iniciar o uso do copo.

Açúcar, sal e óleo devem ser usados com moderação, sempre.

 Evite alimentos industrializados (embutidos, refrigerantes, café). Se usar papas industrializadas, salgadas ou de frutas, prefira aquelas esterilizadas pelo calor e que não contenham aditivos.

Não use mel no primeiro ano de vida, pela possibilidade de intoxicação botulínica.

 Embora não seja muito prático, recomenda-se que os alimentos sejam oferecidos separados, para que o bebê conheça cada sabor.  Mas você pode deixar um alimento para ser oferecido separado, cada dia, e o restante amassado: é mais prático.

Acredita-se que a plena aceitação do alimento só ocorre após seu oferecimento por várias vezes seguidas (8 a 10 vezes).

No caso de rejeição repetida, não force a sua aceitação e troque o ingrediente recusado.

As flutuações do apetite ocorrem sem razão e também devem ser respeitadas, mas não substitua a refeição recusada por outro tipo de alimento: é o início do estabelecimento de limites.  

A introdução de novos ingredientes deve ser feita de modo gradual: um alimento novo cada três dias, para que o sabor seja individualizado e para que se identifiquem logo intolerâncias ou rejeições.

Se você quiser oferecer ovos, no primeiro ano, recomendo apenas a gema cozida (parte) 2 a 3 vezes por semana.

 O bebê pode ocupar a cadeirinha própria para alimentação e acostume-se a não ligar a televisão. 

 Logo que ele esteja apto, deve ocupar lugar à mesa, com os pais: todo contato familiar deve ser estimulado. Mais tarde este espaço se transforma em tribuna onde assuntos familiares podem ser abordados e a cultura familiar transmitida.

 Como prevenção da prisão de ventre ou constipação intestinal, você pode usar: 

Alimentos probióticos - Alguns leites  contêm acréscimo de bactérias que são benéficas ao funcionamento do intestino. Essas bactérias resistem às enzimas da digestão, diminuindo a formação de gases e facilitando na formação do bolo fecal. 

 

  Fibras solúveis – elas são essenciais para regular o seu intestino. Maçã, morango, polpa de maracujá, verduras, aveia, cevada, leguminosas (feijão, lentilha, soja, grão de bico), farelo de trigo e farelo de aveia são boas fontes de fibras solúveis, agindo na regularização do trânsito intestinal. Prefira os alimentos crus aos fritos ou cozidos.  .

 

  Reflexo gastrocólico é o estimulo associado à chegada do alimento ao estomago, que provoca o peristaltismo intestinal, facilitando a evacuação e o estabelecimento de horário para evacuar. Pode ser iniciado após 18 meses,, quando seu controle já pode ser adquirido: compre um troninho de plástico ou madeira, para que ele fique confortável, com os pés apoiados no chão.  Diga o que espera dele e distraia-o com revistinha, papel para desenhar, ou conte-lhe uma história. Não se aborreça se depois de algum tempo ele se levantar e evacuar ou urinar no chão. Diga-lhe” Que pena, isto ficaria melhor aqui no troninho”.

Se o reflexo do intestino não é respeitado, as fezes se acumulam e ele só volta a apresentar a vontade de evacuar com a chegada de novas fezes ao reto. Enquanto isso, o intestino vai absorvendo a água contida nas fezes, que ficam menos pastosas, dificultando a eliminação posterior.

Não use  laxantes: em crianças são usados excepcionalmente.

 

Mastigação -  Insista para mastigue bem os alimentos, pois sua digestão começa na boca, com a ação das enzimas contidas na saliva e com o trabalho realizado pelos seus dentes. Se os alimentos são bem triturados, a eliminação dos restos ocorre de maneira mais rápida e sem exigir muito do seu organismo. Além dissso desenvolve a sensação de saciedade com menos alimento, prevenindo a obesidade e ajuda no desenvolvimento dos ossos e  musculatura da face.

  Água – a fibra insolúvel retém água. Quem consome muitas fibras e esquece os líquidos corre o risco de ficar com o intestino ainda mais preso. Para evitar que isso aconteça, ofereça várias vezes no dia,  água pura (ele deve aprender a saciar a sede com água pura) ou suco de frutas no seu dia-a-dia.

 

Fibras insolúveis – elas aumentam do bolo fecal; aceleram o tempo de trânsito intestinal; previnem a constipação e retêm água, deixando as fezes macias. Grãos integrais, farelo de trigo, soja, centeio e verduras são boas fontes de fibras insolúveis.

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