A recomendação do CDC de Atlanta – USA é que, mediante quadro compatível com gripe, o médico colha secreção respiratória do paciente e de imediato encaminhe para identificação do vírus: se não for A-H1N1, não é gripe suína e o paciente é descartado.
No Brasil qualquer caso de febre, tosse, dor no corpo, coriza é considerado suspeito e é isolado. E os seus contactos, são registrados ou monitorados? Não se sabe se é colhido material para identificação do vírus dos pacientes sintomáticos ou não, e, também falta comunicação à população. Cultura e identificação de vírus ainda não é nossa rotina e não se pode caracterizar gripe suína sem sua identificação. Temos duas dezenas de casos suspeitos, por apresentar quadro de infecção viral das vias respiratória superiores (gripes, provavelmente sazonais), em observação, sem encontro do vírus A-H1N1, até agora.
Sabe-se que o período de incubação do vírus varia entre 3 e 14 dias e que a transmissibilidade da doença começa um dia antes dos sintomas clínicos, continuando por sete dias. Também, que a ação dos dois antivirais recomendados é útil quando usados antes de 48 horas do início da doença (nessas condições reduz a duração e gravidade da doença, pois impede a penetração do vírus nas células para multiplicação, e, também a sua liberação para atacar outras células, potenciando a infecção). Em caso de epidemia real, não existe medicação suficiente para atendimento da população, nem do Brasil nem no mundo. NÂO SE AUTO MEDIQUE; corremos o risco da população se automedicar e usar os antivirais em gripes comuns, já que sua venda não é controlada, esgotando as poucas unidades que temos. Talvez eles já não existam nas farmácias. Se achar que está gripado, procure auxilio medico: só ele está apto a ajudá-lo.
Qual a conduta recomendada?
Primeiro: não existe razão para histerismo. Ainda não temos nenhum caso comprovado da infecção. Os casos de óbito só foram registrados no México: há relato de 149 óbitos em milhares de casos, mas sem documentação do germe causador. Os outros casos que se disseminaram pelo mundo não causaram óbito. Já existe quase uma centena de casos comprovados nos Estados Unidos, a maioria em Nova Iorque de onde partem aviões para todo o mundo, facilitando a difusão da infecção. Mas não há indício de agravamento da virulência do vírus, nas passagens entre humanos, o que é importante.
Como prevenção, evite contato com pessoas gripadas, lave as mãos com freqüência, com água e sabão, ou, friccionando-as com álcool, evite aglomerações e ambientes sem ventilação, mantenha-se hidratado, use frutas cítricas e seus sucos para manter boa hidratação, evite estresse e exaustão. Caso apresente sintomas de gripe, procure assistência médica: não se automedique, ao tossir, cubra a boca com lenço, de preferência descartável, que deve ser usado também para limpar a secreção nasal. Assim podem ser descartados de maneira segura ou incinerados, evitando a sua lavagem.
O que significam os níveis de alerta? Muitas pessoas têm me perguntado se a elevação do nível corresponde a aumento da virulência do vírus: não. Os níveis são elevados apenas pela disseminação do vírus a outras regiões, sem levar em conta o aumento da sua virulência(que felizmente não tem ocorrido): Nível 1, limitado a infecções animais; Nível 2, acometendo animais domésticos, com ocorrência em humanos: ameaça de pandemia (epidemia de caráter mundial); Nível 3 – aparecimento de pequenos surtos, mas sem confirmação de transmissão interpessoal; Nível 4 – Contagio interpessoal de maneira contínua, levando a epidemias setoriais. Há obrigatoriedade de informação à OMS para que se tomem medidas urgentes para contenção da infecção. Nível 5 – Difusão do vírus em pelo menos dois paises de uma região da OMS. Considera-se estágio pré-epidemia e necessidade urgente de medidas de controle. Nível 6 - aparecimento de surtos de infecção em mais países, de regiões diferentes, indicando perda do controle.
E, o nível pós-epidêmico, caracterizado pelo registro de casos de infecção de volta aos níveis anteriores à epidemia.