Segundo Boletim da Organização Mundial de Saúde, de hoje, 3 de junho, 66 paises possuem casos de gripe suína, num total de 19.273 confirmados, com 117 óbitos. Ainda sem explicação, o maior número de casos ocorre no hemisfério norte, que nesta estação do ano, apresenta declínio de casos de gripe. Segundo o CDC/Atlanta (Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta), todos os casos identificados nos Estados Unidos são causados pelo A- H1N1. Lá foram 10.053 casos, com 17 óbitos, seguido pelo México, tido como país de origem, com 5.059 casos e 97 óbitos. No hemisfério sul, o país que apresenta o maior número de casos é o Chile, com 313. O Brasil tem 20 casos confirmados, mas não nos iludamos: a gripe está chegando, seu número deve aumentar, e, por certo causará vários óbitos.
Das muitas dúvidas com relação ao vírus, discute-se também a divergência de casos de óbito no México, muito superior ao ocorrido no resto do mundo. Cientistas questionam que poderia se tratar de pessoas com outras patologias, agravadas pela gripe, como por exemplo, DPOC, asma, diabete, HIV, doenças cardíacas. Só poderemos saber o real motivo depois das pesquisas que estão sendo feitas. Já foram seqüenciados genomas de amostras do H1N1 colhidas em todo o mundo (inclusive no México) que confirmam a mesma identidade, o que significa que não está ocorrendo mutação importante para aumentar a virulência do vírus. Isto também facilita a obtenção de amostra para que se produza a vacina. Embora existam medicamentos válidos para o tratamento, só a vacina poderá interromper a pandemia e dar proteção total. O governo americano destinou bilhões de dólares a vários laboratórios para pesquisas sobre a vacina. O Departamento de Saúde Americano recomenda que só se use antivirais nos casos graves, e, só aqueles muito graves devem ser internados, chegando a calcular em 10 % o número de infectados que precisam ser hospitalizados. O Ministro Temporão já anunciou que também no Brasil só se internarão os casos graves.
Na minha opinião: Conduta melhor será procurar manter-se saudável, com boa alimentação, rica em frutas, legumes e verduras, redução ou abstenção de fumo e bebidas alcoólicas, evite estresse, choques térmicos, frio e exercícios excessivos, mantenha atividades recreativas, quantidade normal de sono. Evite contatos com pessoas gripadas, mantenha distância dos interlocutores (acredita-se que as exalações orais podem ser transmissíveis, se com distância menor de um metro deles) e, naturalmente, evite os cumprimentos com beijinhos e apertos de mão. Evite tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos, que devem ser lavadas com água e sabão com freqüência ou friccione-as com álcool gel. Particulas maiores de saliva, eliminadas com a tosse ou espirros podem sobreviver até oito horas em superfícies de móveis: se voce tocá-las terá as mãos contaminadas e se infectará se tocar mucosas: boca, olhos, nariz. Evite ter álcool líquido em casa, mais propenso a provocar acidentes, por ser mais inflamável que o gel.
Como teremos de enfrentar essa pandemia muito em breve, a Sociedade Brasileira de Infectologia, baseada nos trabalhos do CDC/Atlanta, deverá publicar no próximo dia 8 de junho as instruções que antecipamos a seguir:
DOCUMENTO PARA O PÚBLICO EM GERAL
1 – PROCEDIMENTOS PARA A POPULAÇÃO
CUIDADOS
1.1 – Onde HÁ casos detectados de gripe pelo vírus Influenza A/H1N1
O paciente com uma suspeita de infecção pelo vírus Influenza A(H1N1) deverá utilizar máscara desde o momento em que for identificada a suspeita de até a chegada no local de isolamento hospitalar ou domiciliar.
1.2 – Onde NÃO HÁ casos detectados de gripe pelo vírus
Influenza A/H1N1
Não há evidências que comprovem proteção para o uso de máscaras cirúrgicas para a população em ambiente aberto.
2 – PROCEDIMENTOS
2.1 – São considerados casos suspeitos
Pessoas que apresentarem febre alta de maneira repentina (> 38ºC) E tosse podendo estar acompanhadas de um ou mais dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações ou dificuldade respiratória,
E
a. Ter apresentado sintomas até 10 dias após voltar de viagens ao exterior, de países que reportaram casos de Influenza A/H1N1;
OU
b. Ter tido contato próximo1, nos últimos 10 dias, com uma pessoa classificada como caso suspeito de Influenza A/H1N1.
2.2 – Procedimentos em relação aos casos suspeitos
Procurar atendimento médico, mas somente nos casos acima
3 – RECOMENDAÇÕES
Se você esteve em área afetada pela gripe suína e apresenta alguns dos sintomas acima, adotar quarentena domiciliar voluntária e:
nPermaneça em casa durante dez dias, utilizando máscara cirúrgica descartável.
nNão vá ao trabalho ou à escola.
nMeça sua temperatura três vezes ao dia.
nFique atento para o surgimento de tosse.
nNão compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
nEvitar tocar olhos, nariz ou boca.
nCubra o nariz e boca quando tossir ou espirrar, com lenço descartavel
nLavar as mãos freqüentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
nManter o ambiente ventilado.
nEvitar contato próximo com pessoas (Contato próximo: cuidar, conviver ou ter contato direto com secreções respiratórias ou fluidos corporais de um caso)
Trocar a máscara quando apresentar umidade.* Utilizar máscara isoladamente, sem seguir as recomendações descritas acima, não garante proteção