Estamos no meio de uma pandemia que já está no quarto mês e se dissemina em velocidade crescente. Apesar disso ainda não temos definida a história natural da doença.
Em países como o México e Argentina é alto o número de óbitos comparado com o número dos casos confirmados. No resto dos países, a maioria dos doentes tem curso clínico moderado, com poucos sintomas, o que reduz o número de internamentos.
Ainda sem explicação o grande número de casos no hemisfério norte, ocorridos fora da época em que deveriam ocorrer, que é o inverno. Apesar do crescimento dos casos no hemisfério sul, que agora entrou no inverno, o número dos nossos casos é menor. No Brasil não tivemos nenhum óbito, confirmando o curso pouco agressivo do vírus.
Mas não temos garantia de que ele continuará brando: mutações podem ocorrer a qualquer momento e por isto devemos manter os cuidados recomendados para nossa proteção, já divulgados em posts e páginas do blog. Uma das recomendações é evitar viagens para os países com grande número de casos: na América do Sul, Argentina e Chile. No final deste post descrevemos o ciclo do vírus no nosso organismo, que poderá facilitar a nossa proteção.
Recomendamos que se você apresentar quadro gripal com febre alta repentina, persistente, superior a 38ºC, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, musculares e nas articulações, deve procurar seu médico. Os quadros iniciais da gripe sazonal e gripe A-H1N1são iguais. Dos 990 casos analisados pelo FIOCRUZ, 334 foram positivos e 656 descartados como gripe comum.
Se seu médico não puder afastar a gripe suína ele comunicará à Secretaria Estadual de Saúde, que enviará equipe de Atendimento Domiciliar à sua residência, para coleta de material para exame. Você deve ficar em quarentena voluntária em casa até o seu resultado. O material colhido será entregue à FUNED e seguirá para a Fundação Osvaldo Cruz, responsável, no Brasil, pelos testes de confirmação (RT-PCR). Os kits foram fornecidos pelo CDC/Atlanta. Se o resultado for positivo e você apresentar bom estado geral, você deve continuar isolamento domiciliar (veja instruções em post anterior) até completar sete dias (crianças, 10 dias), recebendo do Departamento de Vigilância Sanitária, medicamentos e acompanhamento diário. Só serão internados os casos graves, que deverão ser em torno de 10% das infecções.
As vacinas estão muito próximas com a técnica de cultura em tecidos de mamíferos, que reduziu i tempo de sua fabricação. Usando esta técnica, dois laboratórios que já as tem prontas, para breve comercialização. Agora nova técnica de engenharia genética permite a sua produção também em grande quantidade e curto tempo: injeta-se o gene do vírus em determinado inseto (baculovirus) que rapidamente produzirá grande quantidade de anticorpos, que serão purificados para compor a vacina.
Embora próxima, a vacina ainda vai demorar a chegar até nós. Provavelmente as primeiras doses terão aplicação seletiva em profissionais que lidam com o público: pessoal de saúde, atendentes, professores, na tentativa de reduzir a disseminação. Num segundo tempo se destinará à população geral.
Toda pandemia se apresenta sob a forma de curva de Gaus: nós estamos na fase ascendente e devemos ter ainda muitos casos. Mas não há razão para pânico, pois o Governo tem um bom plano de atendimento preparado, o que não exclui a nossa responsabilidade de seguir as normas para reduzir a sua propagação. Entendendo o modo como o vírus nos alcança e se multiplica poderemos ser mais rigorosos nos cuidados para evitá-lo: a pele intacta é impermeável à penetração do vírus. O seu acesso ao organismo ocorre através das mucosas dos olhos nariz e boca, levados pelas respiração do doente, ao falar (pode contaminar pessoas até 2 metros), e quando espirra ou tosse: nesses casos elimina partículas de água que contêm os vírus e se espalham no ambiente, depositando-se em móveis e objetos, onde permanecem infectantes até 8 horas. Tocando-os, contaminamos nossas mãos e se levadas a uma daquelas mucosas ou lesões da pele, podemos pegar a infecção Os vírus invadem as células do aparelho respiratório, nas quais penetram e se multiplicam. Depois de multiplicados, rompem as células infectadas, ficando livres para atacar outras células ou alcançarem outras pessoas, para novo ciclo.