Doutor Carlos Leite

4 de setembro de 2009

O VIRUS H1N1 E SUA IMPORTÂNCIA

Arquivado em: Atualidades — admin @ 21:36

                               

                     Dados até 3 de setembro de 2009

                     Em abril deste ano foi detectado pela OMS um novo vírus influenza A, H1N1, de origem suína, originado no México, que logo alcançou a Califórnia, e se disseminou de forma muito rápida nos Estados Unidos e no mundo. Em 2 meses, em velocidade surpreendente, alcançou os cinco continentes e por isto a OMS declarou alerta no grau máximo (6) para este vírus. Essa decisão teve em vista a rapidez de sua disseminação, e não a gravidade da infecção que tem causado. Embora o número de óbitos tem-se mantido baixo, o Brasil está no topo da estatística mundial. 

                Devido ao pequeno tempo de observação, ainda não podemos prever a evolução dessa virose com relação à gravidade das infecções, suas complicações e óbitos que poderá causar. Cientistas tem acompanhado a evolução dos casos em todo o mundo para conhecer a sua história natural e quadro clínico. Existe um esforço mundial para elaboração de vacina eficaz,  algumas já em uso experimental. Isto é importante para bloquear a segunda onda, que deve ocorrer no inverno do hemisfério norte, que promete ser mais grave. Infelizmente essa pandemia deve se estender ainda por vários anos.

           Relembrando, este influenza pertence ao grupo A, o único capaz de produzir pandemias e que pode sofrer mutações alterando as manifestações que provoca. Todo vírus possui 2 proteínas de superfície: H (hemolisina) que tem 19 subtipos e N (neuraminidase) que tem 9 subtipos. A combinação desses subtipos determina as suas características: transmissibilidade e virulência, que também é influenciada pela higidez do contacto.

           O A H1N1 é eliminado pela tosse ou espirros do paciente infectado, que nesses episódios elimina partículas contendo o vírus que se depositam em objetos próximos, onde permanecem viáveis por até 8 horas, contaminando as mãos de que tiver contato com elas. Por isto,  todo o ambiente deve ser limpo com álcool ou água sanitária.

                  A pele sadia é impermeável ao vírus, mas pode contaminar se eles são levados aos olhos, boca ou nariz. Outra via de infecção é pela respiração do doente, que também elimina o vírus e pode infectar pessoas até 1 metro de distancia. Quanto maior a carga de vírus recebida, mais grave pode ser a infecção. Por isto devemos lavar as mãos com água e sabão, com a freqüência possível. Isto reduzirá o número de vírus que podemos portar. Outra opção, na ausência de água e sabão, é friccionar as mãos com solução de álcool a 70 %, que pode ser adquiridos em saches portáveis. Além desses cuidados, evite contacto com pessoas com infecções respiratórias, não use utensílios comuns, e  guarde distancia de mais de um metro de seus interlocutores. Esse período de contágio vai até 2 dias após cessar a febre, na maioria das vezes, uma semana do inicio da doença.

               Penetrando pela via respiratória, os vírus alcançam as células do aparelho respiratório, nas quais penetra pela ação da hemolisina. No interior das células eles desviam a atividade celular para produzir novos vírus. Em curto espaço de tempo as células parasitadas liberam milhares de novos vírus que são parte eliminada pelo hálito ou tosse, e parte invade outras células do mesmo organismo, agravando a infecção. A neuraminidase é responsável pelo rompimento das células que liberam os novos vírus, deixando-as lesadas, facilitando o ataque por bactérias, que poderão causar pneumonia, que agrava o quadro clinico.

                 Os sintomas da doença são semelhantes aos da gripe sazonal e incluem febre alta e persistente, tosse, dor de garganta e de cabeça, corpo dolorido, calafrios e desânimo. Alguns pacientes apresentam vômitos e diarréia. Se você apresentar esses sintomas deve procurar seu médico ou posto de saúde, para exame e orientação. A maioria dos casos tem evolução discreta, melhorando com uso de antigripais comuns e acompanhamento clínico, dispensando uso de medicação específica. Confirmada a infecção, o paciente deve evitar contato com outras pessoas, guardando isolamento voluntário em casa até que cessem os sintomas. Para circular na casa devem usar máscaras, como também seus cuidadores. Os seus utensílios e roupa devem ser lavados à parte. (Veja instruções em blog anterior).

Esta pandemia está incontrolável, deve durar anos, e até que vacinas possam ser distribuídas, só nos resta cuidar para reduzir a sua disseminação e as medidas aconselhadas são:

1 – Mantenha-se saudável, com boa alimentação, rica em frutas e legumes, redução ou abstenção de fumo e bebidas alcoólicas, evite estresse, choques térmicos, frio e exercícios excessivos, mantenha atividades recreativas, quantidade normal de sono. Evite contatos com pessoas gripadas, mantenha distancia dos interlocutores (acredita-se que as exalações orais podem ser transmissíveis, se com distancia menor de um metro dele) e, naturalmente, evite os cumprimentos com beijinhos e apertos de mão. Evite tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos, que devem ser lavadas com água e sabão com freqüência ou friccionadas com álcool gel. Evite ter álcool líquido em casa, mais propenso a provocar acidentes.

2 – Diferente da gripe sazonal que traz  risco maior em menores de 2 anos e idosos, o H1N1, prefere adultos jovens. De maneira semelhante ao ocorrido na primavera passada nos Estados Unidos, a maioria das infecções causa doença discreta e ocorre com mais freqüência em escolares e adultos abaixo de 65 anos. Os casos de óbito foram mínimos e somente em pacientes com situações de risco.  Gestantes e pacientes com outras condições preexistentes estão entre esses casos. Australia e Nova Zelândia relataram maior índice de complicações e internamentos na população indígena (3 a 5% maior que a população geral)

3 – A infecção em grávidas é sempre mais grave e os cuidados para evitá-la devem ser rigorosas. No trabalho,  devem ser transferidas para secções sem contacto com o público. No caso de infecção, o tratamento deve ser imediato, pois é mais eficaz  se iniciado nas primeiras 48 horas.

4- A maioria dos casos continua sendo de baixa gravidade, dispensando o uso de oseltamivir e internamento. É importante que o paciente mantenha boa hidratação, com suco de frutas e outros líquidos: A hidratação facilita o movimento dos cílios das células respiratórias, que é importante mecanismo de defesa.  Sinais de agravamento do quadro são: respiração rápida ou difícil, inapetência para alimentos ou líquidos, desânimo, irritação, recusa de contato com o ambiente. Esses sinais indicam a necessidade urgente de procurar hospital de referencia.

5 – Em trabalhos feitos em animais em que se provocou infecção com o virus sazonal e suíno ao mesmo tempo, comprovou-se que a multiplicação do vírus H1N1 é mais rápida e mais intensa que os sazonais: daí a rapidez de sua difusão.         Nesses casos, com infecções provocadas com o vírus sazonal e o suíno ao mesmo tempo, somente o vírus suíno se transmite.

6 – Há unanimidade entre os trabalhos realizados em todo o mundo, até agora, de que não houve mutação do H1N1, mantendo o mesmo padrão. Dados sugerem que o virus H1N1 permanece antigenicamente estável. Assim, a cepa selecionada para compor a vacina coincide com aquele circulante. E mais, a maioria deles permanece sensível aos inibidores da neuraminidase: oseltamivir e zanamivir (este contra indicado em crianças).

7- Estudos epidemiológicos têm mostrado a predominância do H1N1 nos surtos gripais, na proporção de mais de 70%. É uma estatística superestimada, pois exames são feitos apenas nos casos mais graves, que naturalmente são causados pelo H1N1.

8 – Embora exista a preocupação de maior gravidade na segunda onda de infecções pelo vírus pandêmico que deve ocorrer a partir do outono (abril/maio no Brasil), por re-arranjo genético com os vírus sazonais em circulação, trabalhos realizados em animais não tem sugerido essa possibilidade. A associação mais temida é aquela que pode ocorrer com o virus aviário, A-H3N5, extremamente virulento, mas sem poder de transmissão entre pessoas. O H1N1 tem circulação fácil entre humanos: essa associação seria gravíssima.

9 – É indispensável que o Governo adquira o maior numero possível de vacinas e Oseltamivir; que defina desde logo o programa de prioridades e o estratégia de aplicação das vacinas, já que não teremos vacinas para todos. Quando mais de 70% da população é vacinada há redução da circulação do vírus, gerando a proteção do restante da população pela chamada proteção de rebanho. Mas dificilmente chegaremos lá. Mesmo que tenhamos acesso à vacina especifica contra o H1N1, devemos fazer a vacina contra a gripe sazonal.

 Veja instruções sobre casos suspeitos, casos confirmados, isolamento, uso de máscaras e outros cuidados no blog

                                 www.doutorcarlos.com.br

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