“O vírus da gripe suína”, conhecido oficialmente como gripe A (H1N1), é “sutil e sorrateiro” e deve causar mais casos graves e inclusive mortes nos países mais pobres e populosos do hemisfério Sul, advertiu nesta sexta-feira a diretora-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Margaret Chan.
O alerta foi durante discurso aos representantes dos 193 Estados membros da OMS, reunidos em Genebra, na Suíça, para o encerramento da assembléia anual da organização. A reunião, que foi encurtada para que os representantes pudessem retornar logo aos seus países e aos preparativos antigripe, foi dominada pela ameaça de pandemia de gripe A –embora a OMS tenha mantido o alerta em nível cinco.
“Este é um vírus sutil, sorrateiro, que não previne sua chegada nem sua presença num novo país, provocando uma súbita explosão do número de pacientes que necessitem cuidados médicos ou hospitalização”, comentou Chan.
Segundo o mais recente balanço da organização, a gripe suína atingiu 11.168 pessoas em 42 países, a grande maioria no hemisfério Norte, e deixou 86 mortos.
Chan também preveniu que “a atual estação invernal [no Sul] dá aos vírus da gripe uma ocasião para se misturar e modificar seu material genético de forma imprevisível” –o temor dos cientistas é de que o vírus A (H1N1), de fácil transmissão, se una a um vírus como o da gripe aviária, de alta letalidade, causando uma pandemia de proporções preocupantes. A organização teme ainda a chegada do vírus em países sem os meios de diagnosticar e tratar nem sequer a gripe sazonal.
“A solidez do sistema de saúde de um país estabelecerá a diferença” entre uma simples doença e uma epidemia, destacou Chan.
O país norte-americano continua com o maior número de casos da nova gripe confirmados em laboratório: são 5.764 pacientes, incluindo nove mortes –um aumento de 54 casos em 24 horas.
O México, país considerado epicentro da doença, manteve 3.892 casos do vírus A (H1N1), com 75 mortes. Também na América do Norte, o Canadá continua com 719 casos da doença, incluindo uma vítima.
O Japão também apresentou um aumento significativo no número de casos, saltando de 259 para 294 pacientes.
O balanço inclui ainda o primeiro caso registrado nas Filipinas e um salto de um para oito casos registrados no Equador e cinco para 24 pacientes confirmados no Chile.
A organização registra ainda casos da doença no A OMS inclui ainda casos da doença registrados na Espanha (113), Reino Unido (112), Panamá (73), França (16), Alemanha (14), Colômbia (12), China (11), Itália (10), Nova Zelândia (9), Israel (7), Austrália (7), El Salvador (6), Bélgica (5), Peru (5), Guatemala (4), Cuba (4), Noruega (3), Suécia (3), Holanda (3), Coréia do Sul (3), Finlândia (2), Tailândia (2), Turquia (2), Malásia (2), Polônia (2), Argentina (1), Áustria (1), Dinamarca (1), Índia (1), Irlanda (1), Portugal (1), Grécia (1) e Suíça.
Brasil
O balanço mantém ainda o número de casos da doença registrados no Brasil, oito no total. O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira, contudo, que o nono caso confirmado de gripe suína no país. O ministério afirmou ainda que outros 14 casos suspeitos sejam acompanhados e outros 14 estão em monitoramento.
O novo caso confirmado é do Estado de São Paulo e foi identificado hoje, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. O paciente é um homem de 39 anos, que esteve em Nova York entre os dias 13 e 19 de maio. Ele apresentou os primeiros sintomas no dia do desembarque no Brasil. Ele foi atendido ontem (20) no Hospital Israelita Albert Einstein, onde foi colhido o material para análise pelo Instituto Adolfo Lutz. O paciente está em isolamento domiciliar e passa bem.
Sintomas
A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. “Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.”
A Gripe A-H1N1 continua seu rumo de pandemia: a cada relatório do CDC/Atlanta mais pessoas são relacionadas e mais países apresentam epidemias internas. Continua a suposição de que o modo de disseminação é igual ao da gripe comum ou sazonal, o que garante que ela nos alcançará em cheio muito breve. Felizmente seus quadros clínicos tem sido discretos, pouco mais intensos que a gripe sazonal. A maioria dispensando medicação específica, com pequena porcentagem necessitando hospitalização (só quadros graves), com índice de óbitos também pequeno: ATÉ AGORA.
Começando a fase outono inverno no hemisfério sul, devem aumentar os casos de gripe sazonal que podem facilitar a mutação do H1N1. Até mesmo a sua associação com a gripe aviária A-H5N3 (este vírus tem alto poder de letalidade, mas pouco transmissível) que poderia transferir-lhe a propriedade de transmissão entre pessoas. Até que se tenha disponível a vacina específica, em desenvolvimento adiantado nos Estados Unidos (O Departamento de Saúde Americano destinou 1 bilhão de dólares para o desenvolvimento da vacina, não em ovos, mas cultura de células de mamíferos capazes de “hospedar” o vírus. Eles são injetados nas células onde se multiplicam; ás células são rompidas, seu material é purificado e inativado, permitindo a produção de vacinas em poucas semanas).
Acho que se todos aplicarem a vacina contra a gripe sazonal, a circulação desse vírus diminuirá, reduzindo a possibilidade de fusão com o H1N1 e se você adquirir a gripe suína, seu organismo não estará debilitado.
No México, e mesmo nos Estados Unidos, surgiu um tipo de festa chamada de Festa da Gripe Suína. Convidam-se portadores de formas leves de gripe H1N1, para festa em ambiente fechado, com a suposição de que os participantes adquirirão também forma leve da gripe e ganharão imunidade. Grande erro: a intensidade da doença depende da virulência do agente, mas também da resistência pessoal.
Conduta melhor será procurar manter-se saudável, com boa alimentação, rica em frutas, redução ou abstenção de fumo e bebidas alcoólicas, evite estresse, choques térmicos, frio e exercícios excessivos, mantenha atividades recreativas, quantidade normal de sono. Evite contatos com pessoas gripadas, mantenha distancia dos interlocutores (acredita-se que as exalações orais podem ser transmissíveis, se com distancia menor de um metro dele) e, naturalmente, evite os cumprimentos com beijinhos e apertos de mão. Evite tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos, que devem ser lavadas com água e sabão com freqüência ou friccione-as com álcool gel. Evite ter alcool líquido em casa, mais propenso a provocar acidentes.
São medidas que dificultam o contágio, até que possamos ter a vacina específica contra esse vírus. No Brasil, o Laboratório Manguinhos também já decidiu iniciar a sua produção da vacina, que poderá alcançar um milhão em um ano.