Doutor Carlos Leite

9 de maio de 2009

Devemos usar mascaras ?

Arquivado em: Pediatria — admin @ 21:39

Hoje o número de casos de Gripe A-H1N1 superou os casos do México. Alcançou 2.254 casos, mantendo o mesmo número de óbitos, (2 ou 0,1 % dos casos confirmados). Ambos pacientes provenientes do México, em busca de tratamento médico para outras causas: uma criança e uma senhora grávida de 33 anos. Feita cesariana 2 dias antes do seu óbito, e o bebê permanece saudável.

            A tendência do CDC é tratar essa gripe como gripe sazonal comum,  devido a seu baixo nível de transmissão e virulência. Acho que precisamos de mais algum tempo para termos certeza dessas características e afastar a possibilidade de repique do surto, com mutações que podem agravar o quadro clínico.

            No Brasil já temos os dois primeiros casos autóctones (o contagio ocorreu devido a contacto com pessoa em nosso território).

            Continuamos em posição confortável, apesar disso. Os novos kits de diagnóstico recebidos possibilitam resultados mais rápidos, evitando isolamentos e medicações desnecessárias.

            A Associação Médica Brasileira publicou instruções úteis, que relaciono a seguir:

 

– Indivíduos saudáveis assintomáticos

 Manter distância de no mínimo um metro de qualquer indivíduo com sintomas de gripe, e:

_ Evitar levar as mãos à boca e ao nariz.

1 _ Higienizar as mãos com freqüência, utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas, especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas.

_ Reduzir o máximo possível o tempo de contato com pessoas potencialmente doentes.

_ Reduzir o máximo possível a permanência em ambientes com aglomeração de pessoas.

_ Nos ambientes que estiver freqüentando, melhorar o fluxo de ar,abrindo as janelas por exemplo.

Fora do ambiente de serviços de saúde, não há evidências que demonstrem benefícios do uso de máscaras cirúrgicas ou respiratórias para a proteção contra a exposição ao vírus em ambientes abertos.

Se optar por utilizar máscara, o uso adequado das mesmas segue os seguintes parâmetros:

_ Colocar a máscara cuidadosamente para cobrir a boca e o nariz e ajuste-a corretamente para melhor adaptação ao formato do rosto.

_ Evitar tocar na máscara durante o seu uso. Se tocar na máscara,  para removê-la, por exemplo, higienizar as mãos utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas.

_ Trocar a máscara quando apresentar umidade.

_ Utilizar máscara isoladamente, sem seguir as recomendações descritas acima, não garante proteção.

Não há evidências que comprovem proteção para o uso de máscaras

cirúrgicas para a população em ambiente aberto.

 Indivíduos com sintomas respiratórios (febre, tosse, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações ou dificuldade respiratória)

 _ Higienizar as mãos com freqüência, utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas, especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas, principalmente após tossir ou espirrar.

_ Cobrir o rosto (boca e nariz) quando tossir ou espirrar com lenço descartavel.

_ Permanecer em casa durante dez dias, utilizando máscara cirúrgica descartável.

_ Reduzir contatos sociais desnecessários

_ Mensurar a temperatura três vezes ao dia

_ Ficar atento para o surgimento de febre _ 38º C e tosse

_ Procurar imediatamente serviço de saúde de referência para avaliação se os sintomas acima persistirem

7 de maio de 2009

E a gripe chegou

Arquivado em: Pediatria — admin @ 23:15

 

            Embora a gripe A H1N1 continue se estendendo por novos países, com maior número de casos, tem-se mostrado pouco invasiva em disseminação e gravidade. Até hoje foram confirmados 896 casos nos Estados Unidos, com 2 óbitos, em pessoas que tinham outros problemas de saúde.. O Centro de Controle de Contagiosas de Atlanta tem empregado todos os recursos para impedir a disseminação do vírus nos Estados Unidos e emitindo instruções que possibilitem outros países do mundo a fazer o mesmo. As medicações indicadas para tratamento dos casos confirmados são os inibidores da neuraminidase viral Oseltamivir e zanamivir.

            Nos casos com forte suspeição da infecção, inicia-se um dos medicamentos até que se confirme o diagnóstico (os novos testes, mais rápidos, tem resultado em três dias). O tratamento é de cinco dias. Se houver contatos íntimos estes devem receber a medicação por 10 dias.

            Os novos casos de infecção no México e Estados estão caindo, sugerindo que a situação foi controlada, embora nessas epidemias possa ocorrer um repique meses após. Agora se questiona as vias de disseminação e suas importâncias.

           Os sintomas apresentados pelos doentes confirmados foram febre alta (98%), tosse (79%) e 29 % dispnéia, e outros dor de cabeça e rinorreia: sintomas iguais aos da gripe sazonal, que ocorre em todo início de inverno. Essa gripe tem vacina e aconselho o seu uso.

            Hoje o Ministro da Saúde, Temporão, confirmou a existência de 4 casos no Brasil, todos contraídos no exterior, devidamente isolados e tratados. Informou ainda que seu Ministério dispõe de estoque suficiente para controlar uma pouco provável epidemia. É claro que teremos mais casos importados, devido à grande circulação de pessoas de Nova Iorque para o Brasil.

 

Continuam valendo as medidas preventivas que já citamos e que repetimos:

 

Medidas que ajudam na sua proteção;

·    Estar atento sobre a incidência de casos em seu país e, especialmente sua cidade.

·    Mantenha-se saudável, evitando estress e excessos físicos (noites mal dormidas, bebidas alcoólicas em excesso), exposição excessiva ao frio, choques térmicos.

Se já existirem casos em sua cidade:

·        Mantenha as mãos limpas, lavando-as com freqüência com água e sabão, ou usando álcool. 

·        Evite contato com pessoas gripadas,  ou provenientes dos paises em que ocorrem casos dessa infecção. 

·        Evite aglomerações e ambientes com pouca ventilação.

Se você apresentar quadro de infecção respiratória:

·    Use lenço de papel para cobrir a boca ao tossir e para higiene nasal. Cuidado ao descartá-lo.

·     Procure o seu médico ou posto de saúde ao primeiro sinal de infecção de vias aéreas.

           

            Lembre-se que o quadro da gripe A-H1N1 é semelhante ao da gripe sazonal, essa que causa surtos anuais e que já dispõe de vacina. Acho aconselhável fazê-la.  A evolução e os exames de laboratório é que identificarão o tipo de vírus. O quadro inicial da Dengue também é semelhante. Só o médico pode lhe orientar. Mesmo que tenha o antivírus, não se automedique: todo medicamento tem efeitos colaterais.

Cuidado especial

            Não use aspirina a casos suspeitos ou confirmados da gripe A H1N1, em crianças abaixo de 18 anos, pelo risco de facilitar a Síndrome de Reyes.  Utilize paracetamol ou dipirona como antitérmicos

 

3 de maio de 2009

Afinal, o que é a INFLUENZA A ?

Arquivado em: Pediatria — admin @ 15:23

 

 

São três os tipos de vírus que causam gripe chamados A, B e C. O tipo A,  possui inúmeros subtipos, é o mais agressivo deles e o único capaz de causar pandemia (epidemia de caráter mundial, com muitos focos de disseminação). O tipo B, também com vários subtipos, pode causar epidemias localizadas. O tipo C, sem importância clínica. Os resfriados também são causados por virus, de várias outras especies (não Influenza) , levando a infecções respiratória leves.

Os vírus influenza  classificados por duas de suas proteínas da cápsula, Hemolisina  e Neuraminidase.  A Hemolisina, que tem 19 tipos diferentes,  lhes garante a propriedade de invadir células vivas, e uma vez no seu interior,  programá-las para multiplicar o seu material genético  (RNA ou DNA), criando novas unidades virais. Através da Neuraminidase, que tem 9 tipos diferentes  a célula parasitada é destruída liberando as unidades virais multiplicadas em seu interior, que penetram em outras células do organismo, perpetuando sua multiplicação.

A resistência resultante da vacinação ou infecção,  é devida aos anticorpos gerados pelo organismo,  especificamente contra essas proteínas de superfícies, que são próprias  daquele tipo de vírus. Já sabemos que os vírus têm estrutura simples, capaz de mudanças rápidas para enganar a produção de anticorpos, isto é, tornando o organismo suscetível a novas infecções. Esta é a razão para confecção de novas vacinas antigripais todo ano. Elas são compostas de dois vírus tipo A e um vírus B.

Normalmente a Influenza produz uma infecção respiratória, com febre por 2 ou  4 dias, tosse, coriza, dor nos corpo, gerando resistência à repetição da infecção por aquele vírus. Ciclicamente as mutações do vírus podem produzir cepas mais virulentas, provocando casos mais graves. Como são mutações, o organismo humano  não os reconhece, estando sujeito a sua ação.

Assim ocorreram as três grandes epidemias do século XX: a gripe  espanhola, em1918; a gripe asiática em1957   e a gripe de Hong Kong em1968, que causaram grande número de óbitos. Ocorrerá o mesmo agora? Parece que não, mas é cedo para afirmar.

Esse “novo” tem a mesma composição antigênica do vírus da Gripe Espanhola de 1918, A-H1N1 (será o mesmo vírus?) mas não repete aquela  epidemia por nos restar ainda alguma resistência ao tipo de vírus, ou, por acréscimos em seu material genético, que reduziu sua virulência.

Isto pode explicar  o seu poder de  difusão  limitado, como também a sua virulência limitada. Isto é ótimo. Esperamos que não sofra novas mutações que lhes aumente essas propriedades. Para uma epidemia que já atingiu quase duas dezenas de países, o aumento do número de casos é insignificante, mesmo sabendo dos cuidados dispensados por  todos os países do mundo. 

 Lave suas mãos. Está comprovado que é a melhor forma de se proteger contra a infecção por uma série de microorganismos, incluindo os da gripe. Ao falar, tossir ou espirrar, eliminamos ínfimas partículas de saliva, contaminadas, que podem contaminar superfícies, mantendo-se infectantes por cerca de duas horas: corrimão de escadas, maçanetas, botões de elevador. Se tocados esses locais e transferidos para a boca, os olhos ou o nariz são meios de contágio

 

 

 

 

 

Sinais de alerta

Arquivado em: Pediatria — admin @ 15:03

O que significam os níveis de alerta?

Muitas pessoas têm me perguntado se a elevação do nível corresponde a aumento da virulência do vírus: não. Os níveis são elevados apenas pela disseminação do vírus a outras regiões, sem levar em conta o aumento da sua virulência(que felizmente não tem ocorrido): Nível 1, limitado a infecções animais; Nível 2, acometendo animais domésticos, com ocorrência em humanos: ameaça de pandemia (epidemia de caráter mundial); Nível 3 – aparecimento de pequenos surtos, mas sem confirmação de transmissão interpessoal; Nível 4 – Contagio interpessoal de maneira contínua, levando a epidemias setoriais. Há obrigatoriedade de informação à OMS para que se tomem medidas urgentes para contenção da infecção. Nível 5 – Difusão do vírus em pelo menos dois paises de uma região da OMS. Considera-se estágio pré-epidemia e necessidade urgente de medidas de controle. Nível 6 - aparecimento de surtos de infecção em mais países, de regiões diferentes, indicando perda do controle.

E, o nível pós-epidêmico, caracterizado pelo registro de casos de infecção de volta aos níveis anteriores à epidemia.

1 de maio de 2009

COMO SE PROTEGER DA GRIPE A

Arquivado em: Pediatria — admin @ 21:09

                        Comunicado da OMS, agora à noite, eleva para 367 casos de Gripe A, em 13 países. Desses, 151 casos no México (13 mortes) e  141 nos Estados UJnidos. Os números do Canada e Espanha continuam inalterados: 41 e 13 casos.

 

            As medidas de prevenção da OMS continuam as mesmas:

            A proteção contra qualquer gripe só é conseguida através de vacina, ainda não disponível contra esses dois novos tipos de vírus.

           A OMS não preconiza o fechamento de barrreiras internacionais nem contra-indica viagens aos países acometidos, desde que a viagem seja importante e o viajante goze boa saúde

 

 Medidas que ajudam na sua  proteção;

  • Estar atento sobre a incidência de casos em seu país e, especialmente sua cidade.
  • Mantenha-se saudável, evitando estress e excessos físicos (noites mal dormidas, bebidas alcoólicas em excesso), exposição excessiva ao frio, choques térmicos.

Se já existirem casos em sua cidade:

·        Mantenha as mãos limpas, lavando-as com freqüência com água e sabão, ou usando álcool.  

·        Evite contato com pessoas gripadas,  ou provenientes dos paises em que ocorrem casos dessa infecção.  

·        Evite aglomerações e  ambientes com pouca ventilação.

Se você apresentar quadro de infecção respiratória:

  • use lenço de papel para cobrir a boca ao tossir e para higiene nasal. Cuidado ao descartá-lo.
  •  Procure o seu médico ou posto de saúde

 

                        Lembre-se que o quadro da gripe A-H1N1 é semelhante ao da gripe sazonal, essa que causa surtos anuais e que já possue vacina. Acho aconselhavel fazê-la.  A evolução e os exames de laboratório é que identificarão o tipo de vírus. O quadro inicial da Dengue também é semelhante. Só o médico pode lhe  orientar. Mesmo que tenha o antivírus, não se automedique.  

 

Novo nome para a gripe

Arquivado em: Pediatria — admin @ 11:12

                                      Novo nome da gripe

 

                        Apoiamos a decisão da OMS de trocar o nome da gripe: o porco nessa altura da epidemia  já perdeu a importância, se é que a teve antes. Como o novo vírus tem fragmentos de genoma suíno, humano e aviário, porque culpar só o porco?  Além do mais, essa nomenclatura tem onerado os criadores de suínos, que estão sofrendo grandes prejuízos, mesmo com declarações oficiais da  OMS de que a carne, mesmo de animais infectados,  cozida ou assada, elimina vírus, acaso presente.

            A nomenclatura oficial dos vírus é feita usando-se o tipo do vírus, o local onde foi identificado, mês e  ano, seguido dos antígenos. Por exemplo, vírus  A/Bangkok/1/79/H3N2. Assim a gripe atual seria A/México/3/09(H1N1), ou,  o nome dado pela OMS: Influenza A- H1N1-  Os antígenos são sempre H (hialuronidase)  N (neuraminidase), que garantem a perpetuação do vírus, tornando possível a invasão da célula viva, onde ele  se multiplica, e a sua saída para infectar outras células e re-iniciar o ciclo reprodutivo, esponenciando o seu número.

                        A ação dos antivirais se exerce sobre esses antígenos, bloqueando sua ação, mas só atuam se usados nas primeiras 48 horas da doença, encurtando a duração e reduzindo a virulência. Podem ser usados também na prevenção da infecção, por médicos e para-médicos que se dedicam ao atendimento desses casos, e naquelas pessoas imunodeprimidas.  Esses medicamentos só devem ser usados com prescrição médica. Remédio é útil quando necessário.  Mal usado tem efeitos colaterais.

                        Hoje a OMS informa que mais 2 países têm casos comprovados, elevando para 11 os países acometidos. Os registros de maiores número de casos são: E. Unidos (109 casos), Canadá (34) e Espanha (13) e nenhum no Brasil.

                        Para uma pandemia, o acréscimo de 74 casos em um dia é insignificante. Parece que o vírus tem baixo poder de difusão e também pouca virulência. Isto é bom, mas não temos garantia de que ele  se comportará sempre assim. Cada pessoa infectada se comporta como uma cultura de vírus, multiplicando o seu número. Essa multiplicação poderá  favorecer a reorganização do seu genoma alterando a sua virulência. Nossa esperança é de que isto não ocorra.

                       

            As medidas de prevenção da OMS continuam as mesmas:

            A proteção contra qualquer gripe só é conseguida através de vacina, ainda não disponível contra esses dois novos tipos de vírus.

 Medidas que ajudam na sua  proteção;

  • Estar atento sobre a incidência de casos em seu país e, especialmente sua cidade.
  • Mantenha-se saudável, evitando estress e excessos físicos (noites mal dormidas, bebidas alcoólicas em excesso), exposição excessiva ao frio, choques térmicos.

Se já existirem casos em sua cidade:

·        Mantenha as mãos limpas, lavando-as com freqüência com água e sabão, ou usando álcool.  

·        Evite contato com pessoas gripadas,  ou provenientes dos paises em que ocorrem casos dessa infecção.  

·        Evite aglomerações e  ambientes com pouca ventilação.

Se você apresentar quadro de infecção respiratória:

  • use lenço de papel para cobrir a boca ao tossir e para higiene nasal. Cuidado ao descartá-lo.
  •  Procure o seu médico ou posto de saúde

 

                        Lembre-se que o quadro da gripe A-H1N1 é semelhante ao da gripe sazonal, essa que causa surtos anuais e que já possue vacina. Acho aconselhavel fazê-la.  A evolução e os exames de laboratório é que identificarão o tipo de vírus. O quadro inicial da Dengue também é semelhante. Só o médico pode lhe  orientar. Mesmo que tenha o antivírus, não se automedique.  

 

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