Doutor Carlos Leite

23 de julho de 2009

Repetindo medidas de proteção

Arquivado em: Pediatria — admin @ 13:24

                             CONHEÇA A GRIPE  A (H1N1)

                                              

                                              Os Estados Unidos ainda têm o maior número de doentes infectados com o virus A-H1N1. Cinqüenta e cinco Estados e territórios registraram até a última estatística do CDC dia19 de julho (é divulgada uma vez por semana, às sextas feiras),  40.617 casos, com ocorrência de 263 óbitos (índice de 0,16%). A distribuição dos casos pelos estados não segue uma lógica. Wisconsin tem 6031 casos com 5 óbitos, Texas, 4975 infectados e 24 óbitos, Illinois, 3357 doentes e 15 óbitos. South Dakota tem o menor numero de casos, 39, e nenhum óbito. Mesmo com a chegada do verão, casos desta gripe continuam ocorrendo, isolados em algumas regiões, mas pequenos focos epidêmicos em outras.            

                De acordo com o CDC/Atlanta, entre 5 e 20 % da população dos USA sofre uma infecção de influenza sazonal a cada ano. Desses,  mais de 200.000 infectados são hospitalizados por complicações e  a letalidade é de 36.000 óbitos anuais.A doença é mais grave em pacientes idosos, crianças abaixo de 5 anos, gestantes e naquelas pessoas portadoras de doenças crônicas(diabete, pneumopatias, AIDS), ou em uso de imunossupressores (drogas para câncer ou corticoides em doses altas).

                A gripe A (H1N1) tem o mesmo grau de severidade e disseminação da gripe sazonal. Por se tratar de uma nova mutação do vírus, a população mundial não tem defesa específica contra ele, o que garante a sua circulação prolongada. E isto está acontecendo: começou com crescimento lento e à medida que mais pessoas a adquirem, servem como vetores para alcançar cada vez mais pessoas, com crescimento geométrico. Até agora se mostra pouco agressivo, inclusive com incidência maior em jovens, diferenciando da gripe sazonal nesse aspecto. Provavelmente temos tratado muita gripe suína como sazonal, de tão semelhantes elas são.

                 O Presidente Obama acha que a pandemia vai ser longa e já liberou credito suplementar de US$ 1,82 bilhões para aquisição de antígenos do virus e seus  os adjuvantes necessários (substâncias que potenciam as vacinas, usando menor quantidade do vírus)  para produção de vacinas especificas contra gripe suína, para aplicação nos próximos anos. O Instituto Butantã também promete  liberar em outubro as vacina que está produzindo.

                A OMS acha que no momento é impossível controlar a sua expansão, sobretudo no hemisfério sul que acaba de entrar no inverno, época propícia para sua disseminação. A preocupação agora é reduzir a gravidade dos casos. E isto é possível se conseguirmos nos cuidar para receber uma carga menor do vírus e manter nosso organismo hígido. Nós já sabemos que o vírus nos alcança através das mucosas dos olhos, nariz e garganta diretamente por contato próximo de pessoa doente, ou são levados a elas por nossas mãos que tocaram secreções de doentes que, ao tossir ou espirrar, se espalham em móveis e objetos.

                 Por isto devemos mantê-las limpas, com uso de água e sabão ou higienizadas com álcool gel FRICCIONADO EM TODA A SUPERFICIE DAS MÃOS (menos propicio de causar acidentes, por ser menos inflamável).  Esses vírus penetram nas células do sistema respiratório para se multiplicar, gerando cada um, centenas de outros vírus. Parte desses novos vírus é eliminada pela respiração para atingir outras pessoas, , mas muitos ficam em  nossa árvore respiratória para atacar outras células, agravando a infecção.  A célula parasitada é rompida para liberação dos vírus multiplicados e deixa uma lesão desprotegida, fácil de ser infectada por bactéria, ocasionando uma pneumonia.

                                                        MEDIDAS  DE  PROTEÇÃO

                    

                    Para todos os Indivíduos saudáveis assintomáticos

_Manter-se hígido, sem estress e com alimentação equilibrada que inclua legumes,  verduras, suco de frutas e líquidos com abundância. Tenha o repouso necessário

Manter distância de no mínimo um metro de qualquer indivíduo com sintomas de gripe, e_ Evitar levar as mãos à boca e ao nariz.

_ Higienizar as mãos com freqüência, utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas, especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas.

_ Reduzir o máximo possível o tempo de contato com pessoas potencialmente doentes. _ Reduzir o máximo possível a permanência em ambientes com aglomeração de pessoas.

_ Nos ambientes que estiver freqüentando, melhorar o fluxo de ar, abrindo as janelas, por exemplo.

_Fora do ambiente de serviços de saúde, não há evidências que demonstrem benefícios do uso de máscaras cirúrgicas ou respiratórias para a proteção contra a exposição ao vírus em ambientes abertos.

 

 Se optar por utilizar máscara, o uso adequado das mesmas segue os seguintes parâmetros:

 _ Colocar a máscara cuidadosamente para cobrir a boca e o nariz e ajuste-a corretamente para melhor adaptação ao formato do rosto.

_ Evitar tocar na máscara durante o seu uso. Se tocar na máscara, para removê-la, por exemplo, higienizar as mãos utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas.

_ Trocar a máscara quando apresentar umidade.

_ Utilizar máscara isoladamente, sem seguir as recomendações descritas acima, não garante proteção.

 

 Para todos os indivíduos com sintomas respiratórios (febre, tosse, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações ou dificuldade respiratória):

 _ Higienizar as mãos com freqüência, utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas, especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas, principalmente após tossir ou espirrar.

_ Cobrir o rosto (boca e nariz) quando tossir ou espirrar com lenço descartável.

_ Permanecer em casa durante dez dias, utilizando máscara cirúrgica descartável.

_ Reduzir contatos sociais desnecessários

_ Mensurar a temperatura três vezes ao dia e usar antitérmicos.

_ Ficar atento para o surgimento de febre _ 38º C e tosse

_ Procurar  seu médico ou serviço de saúde para avaliação se os sintomas acima persistirem                   

           

Em crianças , sinais de insuficiência respiratória (dificuldade para respirar ou  falar  e respiração curta e rápida, com gemidos; na inspiração: movimentos das narinas, afundamento dos espaços entre as costelas; lábios ou unhas arroxeadas,  desanimada) indicam a necessidade de atendimento urgente.

                        

                                CRIANÇAS NÃO DEVEM USAR  ASPIRINA 

21 de julho de 2009

Essa pandemia ainda vai durar anos

Arquivado em: Pediatria — Tags: — admin @ 22:24

            Os Estados Unidos ainda têm o maior número de doentes infectados com o virus A-H1N1. Estados e territórios, em número de 55, registraram até a última estatística do CDC, que é divulgada uma vez por semana, às sexta feiras. Na última sexta, dia19 de julho,  40.617 casos, com ocorrência de 263 óbitos (índice de 0,64%). A distribuição dos casos pelos estados não segue uma lógica. Wisconsin tem 6031 casos com 5 óbitos, Texas, 4975 infectados e 24 óbitos, Illinois, 3357 doentes e 15 óbitos. South Dakota tem o menor numero de casos, 39, e nenhum óbito. Mesmo com a chegada do verão, casos desta gripe continuam ocorrendo, isolados em algumas regiões, mas pequenos focos epidêmicos em outros.       

            De acordo com o CDC/Atlanta, entre 5 e 20 % da população dos USA sofre uma infecção de influenza sazonal a cada ano. Desses,  mais de 200.000 infectados são hospitalizados por complicações e  a letalidade é de 36.000 óbitos anuais..

            A doença é mais grave em pacientes idosos, crianças abaixo de 5 anos, gestantes e naquelas pessoas portadoras de doenças crônicas, diabete, pneumopatias, AIDS, ou em uso de imunossupressores (drogas para câncer ou corticoides em doses altas).

            A gripe A (H1N1) tem o mesmo grau de severidade e disseminação da gripe sazonal. Por se tratar de uma nova mutação do vírus, a população mundial não tem defesa específica contra ele, o que garante a sua circulação prolongada. E isto está acontecendo: começou com crescimento lento e à medida que mais pessoas a adquirem, servem como vetores para alcançar cada vez mais pessoas, com crescimento geométrico. Até agora se mostra pouco agressivo, inclusive com incidência maior em jovens, diferenciando da gripe sazonal nesse aspecto. Provavelmente temos tratado muita gripe suína como sazonal, de tão semelhantes elas são.

            O Presidente Obama já liberou credito suplementar de US$ 1,825 bilhões para aquisição de antígenos do virus e os adjuvantes (substâncias que melhoram a eficacia da vacina) necessários para produção de vacinas especificas contra gripe suína, para aplicação no próximo ano. O Instituto Butantã também promete  liberar em outubro as vacina que está produzindo.

            A OMS acha que no momento é impossível controlar a sua expansão, sobretudo no hemisfério sul que acaba de entrar no inverno, época propícia para sua disseminação. A preocupação agora é reduzir a gravidade dos casos. E isto é possível se conseguirmos nos cuidar para manter nosso organismo hígido e reduzir a carga de vírus recebida .

            Nós já sabemos que o vírus nos alcança através das mucosas dos olhos, nariz e garganta diretamente por contato próximo de pessoa doente, ou são levados a elas por nossas mãos que tocaram secreções de doentes que, ao tossir ou espirrar, se espalham em móveis e objetos. Por isto devemos mantê-las limpas, com uso de água e sabão ou higienizadas com álcool gel (menos propicio de causar acidentes, por ser menos inflamável).  Esses vírus penetram nas células do sistema respiratório para se multiplicar, gerando cada um, centenas de outros vírus. Parte desses novos vírus é eliminada pela respiração para atingir outras pessoas, mas muitos ficam em nossa árvore respiratória para atacar outras células, agravando a infecção.  A célula parasitada é rompida para liberação dos vírus multiplicados, deixando uma lesão desprotegida, fácil de ser infectada por bactéria, ocasionando uma pneumonia.

            Por isto é importante seguir as orientações do Ministério da Saúde (que são as mesmas em todo o mundo) para não sermos alcançados pelo vírus, mas, se isso não for possível, que recebamos um menor número de vírus, limitando a sua gravidade. Nesse caso, as defesas naturais do organismo serão capazes de destruir os invasores, desenvolvendo anticorpos, como uma vacina, que nos defenderão no futuro.

            Com relação aos exames e tratamento, o protocolo foi mudado. As gripes, sazonal ou suína, devem ser acompanhadas clinicamente pelo seu médico ou nos postos de saúde. Medicamentos, antivirais ou antibióticos, serão usados quando necessário, e o internamento só para casos graves.

17 de julho de 2009

Nova estatística – 16 de julho

Arquivado em: Pediatria — admin @ 6:49

Atualização da evolução da gripe A- H1N1,  em 16 de julho

 

Agora  à tarde o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou aspectos da nova gripe:

 

1-     Foram confirmados perto de 1.200 casos da gripe, com  ocorrência de  11 óbitos, e alguns poucos casos internados, devido à gravidade de suas infecções. Vemos que a imensa maioria dos casos teve recuperação completa. Some-se a isto, os casos que não entraram na estatística, considerados gripes sazonais, devido às dificuldades de diagnóstico

2-     O vírus já tem circulação continuada no território nacional. Isto significa que o contágio não mais depende de contato com pacientes vindos do exterior, quando a incidência da doença  crescia de modo aritmético. Com a circulação autóctone a disseminação cresce de maneira exponencial, como já estava previsto.

3-     As condutas adotadas pelo Ministério da Saúde continuam as mesmas, seguindo orientação da Organização Mundial de Saúde e CDC/Atlanta.

4-     Não há razão para alarme: embora muito contagiosa e ainda sem perfil clínico definido, a maioria dos casos, até agora, evoluiu de maneira semelhante à gripe sazonal, com  índice de óbitos semelhante.

  

                        Minha impressão pessoal

 

            Como já vimos em blog anterior, dos três  virus da Influenza, o tipo A é o mais agressivo, capaz de  provocar pandemias, como esta que acontece. O quadro clínico das infecções pelos vírus do tipo A  é muito semelhante, impedindo o seu diagnóstico clínico: no caso, a gripe sazonal (que ocorre no mundo em todo outono/inverno), e a gripe causada pelo H1N1, sem auxilio de exames laboratoriais. A sua porta de entrada em nosso organismo é atravéz das mucosas dos olhos, nariz e garganta. Alcançam as vias respiratórias, onde invadem as células epiteliais para se multiplicar. Alcançando replicação suficiente, rompem essas células para invadir outras celulas do mesmo organismo, e, parte é eliminada na respiração para atacar outras pessoas.As células rompidas facilitam a penetração de bactérias que podem causar pneumonias, que ocorrem nos casos mais graves.

             Como já sabemos, para que ocorra uma pandemia são necessárias tres condições: novo tipo de germe, uma população sem imunidade à ele, e um vetor, que, no caso é o próprio doente. Essas condições ocorrem no momento em todo o mundo, o que nos leva a concluir que esta pandemia terá curso  inexorável e de maneira continuada.

             Pesquisa realizada pela Universidade  Harvard, há três semanas, mostra que seis entre dez  americanos estão apreensivos com a extensão dessa gripe no próximo período propício à sua disseminação, que ocorrerá no outono/inverno americano.

          O Governo Americano também pensa assim e   destina vultosas verbas suplementares para que a população seja protegida com a produção e aquisição de vacinas para aplicação em massa, naquele período.  

            Estamos no inverno, época de infecções respiratórias, em especial  das gripes. Já sabemos que a gravidade de uma infecção depende da quantidade germes a que nos expomos, da sua virulência e de nossa resistência pessoal. São sempre mais graves em gestantes, menores de 2 anos e idosos.

            Embora precise de tempo para que conheçamos a evolução desse vírus, até agora podemos considerá-lo semelhante ao da gripe sazonal, com baixa virulência. Falta uma explicação para o alto índice  de óbitos ocorridos no surto inicial do México, do surto atual da Argentina (0,4 %) e do Rio Grande do Sul (perto de 0,6 %). Consideramos normal a porcentagem de menos de 0,2 por cento obtidas nos outros países. Seriam causadas por cepas mais agressivas? Seriam  pessoas com outras doenças pre-existentes? Pessoas com resistência diminuida? Infecções por grande quantidade de vírus? Ainda não temos resultados das autopsias realizadas.

            Podemos aumentar nossa resistência pessoal, mantendo hábitos saudáveis: boa alimentação, incluindo frutas e seus sucos, verduras e legumes, abolindo ou reduzindo o consumo de álcool e fumo, guardando tempo para exercícios físicos, repouso e atividades lúdicas, além das nossas atividades obrigatórias.

            Podemos reduzir a carga de germes que recebemos, obedecendo às instruções tão divulgadas: evitar contato com pessoas gripadas, evitar concentração de pessoas em ambiente pouco ventilado, evitar tocar as mucosas dos olhos, nariz e boca, com as mãos, que devem ser lavadas com água e sabão ou friccionadas com álcool gel com a freqüência necessária. Eventualmente em ambientes fechados e com aglomerações, poderá ser recomendado  o uso de máscaras cirúrgicas, não indicadas para ambientes abertos e ventilados.

            Obedecidas estas condições, nossa resistência pessoal, através da atividade de nossos leucócitos e secreções,  poderá destruir aquela pequena quantidade de vírus que nos alcançar, provocando uma infecção assintomática, dando-nos imunidade, à semelhança de uma vacina. Mesmo que isto não aconteça, estaremos contribuindo para reduzir a disseminação desse vírus, criando espaço de tempo para obtenção da vacina, que está próxima.

            Além desses cuidados, procurar logo seu médico ou posto de saúde em caso de infecção respiratória acompanhada de sintomas comuns às gripes: febre alta e persistente, dor de garganta, no corpo, juntas e tosse.

            Portanto, faça a sua parte, cuide-se e siga as recomendações do Ministério da Saúde.

Powered by WordPress