Doutor Carlos Leite

31 de agosto de 2009

Pior que a gripe suina

Arquivado em: Pediatria — admin @ 23:07

Antes de qualquer comentário, uma pergunta: você já assinou o abaixo assinado para  que candidatos julgados culpados, mesmo em primeira instancia, tenham impedidas as suas candidaturas a cargos eleitorais? Você encontra a lista em qualquer igreja católica. Acho que é um modo de mostrar nossa indignação com os políticos que aí estão roubando o nosso dinheiro.O prazo vence dia 7 de setembro. Avise seus amigos para que cumpram esse dever de cidadania e lembrem os nomes daqueles que estão se “lixando para o povo”. Não vote neles.

5 de agosto de 2009

Gripe suína – Atualização do protocolo

Arquivado em: Pediatria — admin @ 9:45


GRIPE A- (H1N1) NOVAS CONDUTAS

Em 3/8/2009

Com a evolução da pandemia da Influenza A-H1N1, mais se conhece da doença e os protocolos vão sendo adaptados, baseados na experiência colhida.

As condições ainda são propicias ao desenvolvimento de número de casos cada vez maior. Existe um novo agente infeccioso, existe toda população mundial susceptível a ele, e, os vetores são os próprios pacientes infectados, em número cada vez maior.

O novo vírus, embora tenha surgido no inicio do verão do hemisfério norte (onde ainda está presente em casos isolados, mas também em pequenas epidemias), encontra no hemisfério sul condições propicias à sua propagação: baixas temperaturas fazem com que os ambientes sejam menos ventilados, aumentando a concentração do vírus. A diminuição da umidade do ar reduz a hidratação e o movimento dos cílios das células das vias respiratórias, que são importantes mecanismos de defesa.

Em 31 de julho a OMS relatou a existência de 134.503 casos confirmados da Influenza A-H1N1, responsável por 816 óbitos. O número das infecções está subestimado, pois só são incluídos os casos com exames positivos. Esses exames só foram feitos em pessoas gravemente doentes ou em grupos de risco. Os casos leves não foram incluídos nessa estatística. O novo virus, identificado pelos exames é o dominante na Argentina, Chile, Brasil, Nova Zelândia, Australia, Canadá e Inglaterra.

O relatório do Ministério da Saúde do Brasil divulgado dia 31 de julho faz uma análise a partir da notificação, investigação, diagnóstico laboratorial e tratamento dos pacientes infectados pelo vírus influenza A (H1N1) e que apresentaram, além de febre e tosse, dificuldade respiratória, ainda que moderada ( quadro compatível com a síndrome respiratória aguda grave – SRAG) e dos grupos de risco para desenvolver formas graves da doença.
1. O nível de gravidade dos casos de influenza A (H1N1) e de gripe comum se mantém semelhantes (19% para a nova gripe e 18,5% para a gripe sazonal), reforçando a indicação de que a abordagem clínica para diagnóstico, tratamento e internação deve ser a mesma para os casos de síndrome gripal, que inclui a gripe sazonal.
2. Também são semelhantes os principais sintomas apresentados pelos pacientes graves infectados por ambos os grupos de vírus, o que dificulta o diagnóstico clínico. Os exames laboratoriais confiáveis são demorados, e nos casos considerados de risco, tanto em pessoas infectadas pelo novo vírus como pela influenza sazonal, o tratamento deve ser imediato. Lembrem-se de que o oseltamivir foi criado para combater a gripe comum. São considerados casos de risco as gestantes (seu sistema imunológico está comprometido), como também, doenças respiratórias crônicas,
imunodeprimidos (por medicação ou AIDS) cardiopatias e hipertensão. Esses são os fatores de risco mais freqüentes entre os pacientes graves, que podem evoluir para óbito: estes casos devem receber tratamento imediato,

3. As evidências acima reforçam o protocolo de manejo clínico elaborado pelo Ministério da Saúde, e adotado por outros países, Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS), que inclui grávidas e pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias entre os grupos de risco que devem receber o tratamento até 48 horas após o início dos sintomas. Um fator de risco e doença grave pelo novo vírus tem 3,46 vezes mais possibilidade de letalidade, quando comparado com o grupo de pessoas, também com doença grave pelo novo vírus, mas sem fator de risco.

4. Em relação ao boletim anterior (24/7), o índice de pessoas com Influenza A (H1N1) que morreram em relação às que apresentavam algum grau de gravidade caiu de 12,8% para 10,3%.
5. Dentre os vírus influenza que circulam atualmente no Brasil, permanece a proporção de 60% do tipo A (H1N1), observada no último boletim.

6. Nas novas diretrizes o MS adquiriu 18 milhões de vacinas contra o A-(H1N1) do laboratório Sanofi-Pasteur, que entregará parcela de 1 milhão até dezembro, já pronta para uso. O restante será entregue a granel, e será manipulada pelo Instituto Butantã, que também produzirá a vacina.

7. O uso do medicamento, oseltamivir ou Tamiflu, ficará a critério do médico do paciente, e o medicamento será fornecido mediante relatório com argumentação científica especificando o quadro clínico que permitiu o diagnóstico e a necessidade do uso do medicamento. Foi uma boa medida, que agiliza o tratamento dos casos graves, que deve ser iniciado de imediato.

Com relação ao adiamento do reinício das aulas, pode ter sido positivo no sentido de reduzir o contato de pacientes que viajaram para o exterior, ou locais que apresentam grande número de infecções, com quem não viajou. Esse espaço de uma semana, maior que o período de incubação da doença (em torno de 3 dias), permite a identificação dos casos infectados que deverão guardar quarentena de 10 (ou 12) dias antes de voltar às aulas.

Ainda não existe literatura sobre os portadores da doença que tiveram tratamento dentro do prazo útil (até 48 horas do inicio dos sintomas): o lógico seria considerá-los aptos sem completar o período de quarentena. Mas ainda não encontrei literatura sobre isto.

Contudo, os estudantes sem aulas devem evitar cinemas, teatros, shows e outras atividades que facilitam aglomeração em ambientes fechados.

Observações:

É indispensável que você observe as medidas recomendadas para se proteger e reduzir a difusão da gripe.

O CDC tem encontrado, nos Estados Unidos,  venda de oseltamivir (substância ativa do Tamiflu) falsificado. Portanto não procure adquiri-lo: o governo vai distribuí-lo de graça, mediante receita médica.



Powered by WordPress