Doutor Carlos Leite

21 de julho de 2009

Essa pandemia ainda vai durar anos

Arquivado em: Pediatria — Tags: — admin @ 22:24

            Os Estados Unidos ainda têm o maior número de doentes infectados com o virus A-H1N1. Estados e territórios, em número de 55, registraram até a última estatística do CDC, que é divulgada uma vez por semana, às sexta feiras. Na última sexta, dia19 de julho,  40.617 casos, com ocorrência de 263 óbitos (índice de 0,64%). A distribuição dos casos pelos estados não segue uma lógica. Wisconsin tem 6031 casos com 5 óbitos, Texas, 4975 infectados e 24 óbitos, Illinois, 3357 doentes e 15 óbitos. South Dakota tem o menor numero de casos, 39, e nenhum óbito. Mesmo com a chegada do verão, casos desta gripe continuam ocorrendo, isolados em algumas regiões, mas pequenos focos epidêmicos em outros.       

            De acordo com o CDC/Atlanta, entre 5 e 20 % da população dos USA sofre uma infecção de influenza sazonal a cada ano. Desses,  mais de 200.000 infectados são hospitalizados por complicações e  a letalidade é de 36.000 óbitos anuais..

            A doença é mais grave em pacientes idosos, crianças abaixo de 5 anos, gestantes e naquelas pessoas portadoras de doenças crônicas, diabete, pneumopatias, AIDS, ou em uso de imunossupressores (drogas para câncer ou corticoides em doses altas).

            A gripe A (H1N1) tem o mesmo grau de severidade e disseminação da gripe sazonal. Por se tratar de uma nova mutação do vírus, a população mundial não tem defesa específica contra ele, o que garante a sua circulação prolongada. E isto está acontecendo: começou com crescimento lento e à medida que mais pessoas a adquirem, servem como vetores para alcançar cada vez mais pessoas, com crescimento geométrico. Até agora se mostra pouco agressivo, inclusive com incidência maior em jovens, diferenciando da gripe sazonal nesse aspecto. Provavelmente temos tratado muita gripe suína como sazonal, de tão semelhantes elas são.

            O Presidente Obama já liberou credito suplementar de US$ 1,825 bilhões para aquisição de antígenos do virus e os adjuvantes (substâncias que melhoram a eficacia da vacina) necessários para produção de vacinas especificas contra gripe suína, para aplicação no próximo ano. O Instituto Butantã também promete  liberar em outubro as vacina que está produzindo.

            A OMS acha que no momento é impossível controlar a sua expansão, sobretudo no hemisfério sul que acaba de entrar no inverno, época propícia para sua disseminação. A preocupação agora é reduzir a gravidade dos casos. E isto é possível se conseguirmos nos cuidar para manter nosso organismo hígido e reduzir a carga de vírus recebida .

            Nós já sabemos que o vírus nos alcança através das mucosas dos olhos, nariz e garganta diretamente por contato próximo de pessoa doente, ou são levados a elas por nossas mãos que tocaram secreções de doentes que, ao tossir ou espirrar, se espalham em móveis e objetos. Por isto devemos mantê-las limpas, com uso de água e sabão ou higienizadas com álcool gel (menos propicio de causar acidentes, por ser menos inflamável).  Esses vírus penetram nas células do sistema respiratório para se multiplicar, gerando cada um, centenas de outros vírus. Parte desses novos vírus é eliminada pela respiração para atingir outras pessoas, mas muitos ficam em nossa árvore respiratória para atacar outras células, agravando a infecção.  A célula parasitada é rompida para liberação dos vírus multiplicados, deixando uma lesão desprotegida, fácil de ser infectada por bactéria, ocasionando uma pneumonia.

            Por isto é importante seguir as orientações do Ministério da Saúde (que são as mesmas em todo o mundo) para não sermos alcançados pelo vírus, mas, se isso não for possível, que recebamos um menor número de vírus, limitando a sua gravidade. Nesse caso, as defesas naturais do organismo serão capazes de destruir os invasores, desenvolvendo anticorpos, como uma vacina, que nos defenderão no futuro.

            Com relação aos exames e tratamento, o protocolo foi mudado. As gripes, sazonal ou suína, devem ser acompanhadas clinicamente pelo seu médico ou nos postos de saúde. Medicamentos, antivirais ou antibióticos, serão usados quando necessário, e o internamento só para casos graves.

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