Doutor Carlos Leite

30 de novembro de 2008

Células tronco

Arquivado em: Pediatria — admin @ 18:05

O que são essas células?

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Célula tronco é uma célula polivalente, responsável pela formação dos tecidos do corpo. Existem vários tipos que se diferenciam pela capacidade de formar qualquer tecido (totipotentes), muitos  tecidos (multipotentes), poucos tecidos (oligopotentes) ou apenar um tipo de tecido do corpo.

 A união do espermatozóide com o óvulo forma uma célula tronco totipotente, chamada germinativa (CTG). É totipotente porque vai formar todos os tecidos ou órgãos do corpo, em número superior a 250 tipos. Nas suas sucessivas divisões vai se especializando progressivamente até formar um só tipo de tecido. Dá origem a todos os órgãos do corpo do humano e à medida que se diferencia vai deixando de ser totipotente progressivamente, perdendo a capacidade de mutação, sem poder retroceder, limitando cada vez mais os tipos de tecido que podem formar.

 Outro tipo de células totipotentes são as células tronco embrionárias (CTE), obtidas  de embriões, na primeira semana de desenvolvimento, quando são apenas um agrupamento de células. Sua retirada destrói o embrião e por isto são usados aqueles que não deverão ser implantados em útero, por desistência dos pais ou vencido o tempo de congelamento. Sua pesquisa só recentemente (29 de maio de 2008) foi autorizada no Brasil pelo Supremo Tribunal Federal e nossos pesquisadores já avançaram muito.

Já temos as nossas células tronco cultivadas em  parceria entre os pesquisadores Lygia da Silva Pereira, da Universidade de São Paulo (USP) e Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A primeira linhagem de células-tronco embrionárias do Brasil foi obtida de embriões que foram doados para a pesquisa, pois  estavam congelados havia mais de três anos em clínica de fertilização.
Após 35 tentativas sem êxito, o grupo observou que uma das culturas em matriz de gel, estava se reproduzindo, formando uma colônia  e mantendo a pluripotência, o que é indispensável. Essa linhagem foi batizada de BR-1 e foi obtida utilizando nova técnica, que dispensa o uso de material não humano, alem de rendimento superior, conforme artigo científico em publicação.

As pesquisas nacionais eram feitas com células tronco embrionárias adquiridas no exterior a preço alto. A cultura dessas células BR-1 já foi disponibilizada para os serviços interessados, o que encurta o trabalho de pesquisa.

Nossos pesquisadores* (Lygia Pereira, Steveens Rehen e Leda Castilho, da UFRJ) já desenvolveram técnica de cultivo destas células, multiplicando as quantidades obtidas, com material, tempo e custo menores. É importante que se tenha boa técnica para multiplicação dessas células, pois para sua utilização é necessário o uso de 1 milhão delas para cada quilo de peso do receptor.

Ainda há um longo caminho a percorrer para seu uso em reparo ou reconstrução dos tecidos do corpo, pois elas devem ser introduzidas no organismo do receptor com a diferenciação já induzida para as células específicas que vão reparar. Existe sempre a possibilidade de que possam manter crescimento não controlado, gerando tumores.

            Existem ainda as células tronco adultas multipotentes (ou pluripotentes induzidas -CTA ou CPIs), parcialmente diferenciadas, o que limita o seu poder de transformação.  Têm a vantagem de não provocar rejeição, pois vão ser usadas no próprio doador. Existem em pequeno número, em alguns órgãos, como a medula óssea, tecido gorduroso, cordão umbilical. Sua função normal se limita à correção de lesões dos órgãos em que se encontram.

As células tronco do sangue do cordão umbilical (CTU) só se  transformam em células da linhagem do sangue. Mesmo com uso limitado, são úteis por repararem doenças hematológicas, desde que a doença original não tenha caráter genético. A coleta, congelamento e manutenção, têm custo elevado, que limita seu uso.

Recentemente foram encontradas no cordão umbilical, e não no seu sangue, células com maior potencial de diferenciação, conforme estudos ainda não concluídos, mas com vários testes realizados.

Em vários estados já existem bancos de cordão públicos gratuitos: pode-se armazenar cordão umbilical, que tem em média, 40 cm., que separado em duas partes, presta-se a dois transplantes em crianças. Reserva-se uma para o doador e a outra é catalogada para servir a quem necessite de transplante. Por causa da quantidade limitada de células, esses transplantes eram feitos apenas em receptores, adultos ou crianças,com menos de 40 quilos. Há algum tempo, médicos americanos fizeram um transplante usando duas bolsas, de doadores diferentes, para aumentar o volume final. O resultado foi tão bom, que já somam mais de 500 transplantes em todo o mundo, incluindo seis casos brasileiros.

Minas Gerais já tem programado o seu Banco de Tecidos (CTBIOS): um terreno perto do aeroporto de Confins foi doado pela prefeitura de Santa Luzia destinado a esta construção, que vai armazenar células tronco, pele,   ossos e qualquer outro material biológico que possa ser usado em transplante.             

O estudo das células tronco ganhou impulso a partir de 1980, numa tentativa de conhecer melhor os processos de reparação dos tecidos , com o objetivo de recuperar órgãos importantes lesados, cujas células, acredita-se,  não se regeneram a nível curativo, como aquelas do sistema nervoso central e coração.

            A recente resolução da Suprema Corte do Brasil permitiu a retirada de células tronco de embriões que seriam descartados ou que tivessem vencido o prazo em que poderiam ser implantados, e cujos pais estivessem de acordo em doá-los. Como já ocorre em vários países, abriu excelente oportunidade para pesquisadores nacionais que já criaram novas técnicas nacionais de multiplicação celular.

1/2/2009 -O primeiro teste com células tronco em humanos , autorizado pelo FDA, está a cargo da empresa de biotecnologia GERON CORPORATION, da Califórnia, gerenciada por Thomaz B Okarma e deverá ter início em junho. Foram selecionados dez pacientes portadores de secção da medula, que por isto perderam seus movimentos, para o primeiro experimento em humanos. As células tronco foram induzidas a evoluir em direção ao tecido que irão compor (passo essencial), no caso especifico, em células nervosas e,  a seguir, serão injetadas na coluna. A expectativa é que ocupem as funções das células lesadas e recuperem a perda funcional. Na Rússia já foram feitas várias aplicações, mas as publicações não obedecem as normas internacionais de uso de grupo controle. Há relato de criança que recebeu transplante para tratamento de doença genética vascular, que não foi curado e apresentou tumor no cérebro após 5 anos. Existe essa preocupação: de que estas células possam manter crescimento desordenado, gerando tumores. Esperamos que os experimentos tenham êxito abrindo caminho para outras aplicações em doenças degenerativas.

 

* 01.04.2009 – O trabalho a que se refere foi aceito para publicação no Brazilian Journal of Medical and Biological Research, deve ocorrer em breve.

1/2/2009 -O primeiro teste com células tronco em humanos , autorizado pelo FDA, está a cargo da empresa de biotecnologia GERON CORPORATION, da Califórnia, gerenciada por Thomaz B Okarma e deverá ter início em junho. Foram selecionados dez pacientes portadores de secção da medula, que por isto perderam seus movimentos, para o primeiro experimento em humanos. As células tronco foram induzidas a evoluir em direção ao tecido que irão compor (passo essencial), no caso especifico, em células nervosas e,  a seguir, serão injetadas na coluna. A expectativa é que ocupem as funções das células lesadas e recuperem a perda funcional. Na Rússia já foram feitas várias aplicações, mas as publicações não obedecem às normas internacionais de uso de grupo controle. Há relato de criança que recebeu transplante para tratamento de doença genética vascular, que não foi curado e apresentou tumor no cérebro após 5 anos. Existe essa preocupação: de que estas células possam manter crescimento desordenado, gerando tumores. Esperamos que os experimentos tenham êxito abrindo caminho para outras aplicações em doenças degenerativas

 
 

 

 

 

 

 

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