Doutor Carlos Leite

11 de abril de 2009

Disturbios do sono

Arquivado em: Pediatria — admin @ 7:58

O homem é o mamífero que nasce com maior dependência de seus pais, por ter o sistema nervoso central muito imaturo. Por isto o seu padrão de sono no primeiro ano de vida é tão longo. O recém-nascido necessita de 16 a 18 horas de sono por dia, com vários períodos de vigília a cada 3 ou 4 horas. Observando seu sono podemos notar variações no ritmo e intensidade, que se alternam: um tipo é superficial e irregular, fácil de despertar. Nesta fase ocorre aumento da síntese e liberação do hormônio do crescimento. Por isto se diz que a criança cresce durante o sono. O outro tipo é mais profundo, com relaxamento da musculatura esquelética. É chamado de sono REM em que ocorre rápido movimento dos olhos e a criança sonha: às vezes podemos vê-la sorrindo. É mais difícil de despertar e parece estar relacionado com mecanismos de aprendizado e memória.

            Dos distúrbios do sono o que mais incomoda às mães é a insônia comportamental da infância, que pode ser causada por várias patologias (cólicas, otites, refluxo gastroesofágico, uso de certos medicamentos) e que devem ser descartados.

            Outro tipo é da criança que sente sono, mas não consegue conciliá-lo e fica cada vez mais irritada. Ocorre no fim do dia, como “uma unhappy hour”. Parece que o sono dói e a melhor conduta é manter a casa em silêncio,com baixa iluminação e passear com a criança no colo. Podemos usar um objeto transicional (bichinho, chupeta, fralda) e entoar músicas de ninar: boi da cara preta,  atirei o pau no gato, Frere Jaques, e outras que nos mostraram como fomos amados e fazem parte da nossa infância. Quando ela se acalmar podemos colocá-la no berço que vai dormir e sonhar com os anjos. Com o tempo ela vai se acostumar e quando receber a chupeta e objeto (bichinho, fralda, etc.), com fundo musical suave, terá seu sono induzido. Se despertar, não a leve para sua cama: fique ao lado do berço e nine-a, suavemente até que durma. Alguns autores recomendam que devamos deixá-la chorar até aprender a dormir. Se você aceitar,  pode seguir essa norma.

            Distinguimos ainda o distúrbio da falta de limites, quando a criança não foi treinada para dormir na hora certa e  não está acostumada a ter limites em sua conduta Geralmente ocorre em idades maiores (pré-escolares) que estão desenvolvendo sua independência e querem testar a tolerância dos pais. É hora de ser inflexível. Ceder uma vez vai significar um reforço negativo: a criança aprende que se forçar, obtém o que quer.

                                                         PESADELO

               É um sonho que aterroriza a criança, que acorda assustada, chorando e procurando a proteção dos pais. Pode estar relacionado a experiências desagradáveis ou traumáticas durante o dia. Não está relacionada à disritmia e a conduta é acalmar a criança, dando-lhe a segurança que ela procura, dispensando qualquer medicação. Com cuidado procure identificar se houve maus tratos na escola ou em casa, se fica aos cuidados de babá (sem querer desmerecê-las, mas pode acontecer: histórias de terror, ameaça de que se não se comportar o bicho papão pega, e não esquecer que pode ocorrer abuso sexual) ou na escola quando pode ser discriminado por colegas e mesmo professores). É necessário habilidade porque é comum que essa ocorrência não seja relatada. 

                                                     TERROR  NOTURNO                                  

              O terror noturno é manifestação súbita vivida  por  crianças, na fase de sono profundo que, repentinamente apresentam agitação e choro intenso, assentam-se na cama com expressão de ansiedade e terror, têm dificuldade de ser acordadas e manter contato com o ambiente: não reconhecem os familiares e podem relatar estar vendo monstros no quarto.  Esses episódios são de curta duração, mas podem se repetir várias vezes na mesma noite.  Por ocorrer na fase de sono profundo, ao acordar, a criança não se lembrará do ocorrido. Acomete 3% das crianças, incidindo mais em pré-escolares. É alteração benigna, não está relacionado a disritmia e tende ao desaparecimento espontâneo, mas pode estar relacionada a maus tratos em casa ou na escola. 

         A conduta deve ser procurar acalmar a criança e protegê-la de traumatismos que a sua agitação possa causar.

        Somente nos casos de repetições freqüentes deve ser medicada (geralmente supressores do estágio 4 do sono).

            O uso de “objetos transicionais” ( bichinho, brinquedo, manta), que auxiliam a induzir o sono, podem evitar ou diminuir esses episódios.

                                                     SONAMBULISMO

                       Manifesta-se como episódios de curta duração (segundos a poucos minutos) que ocorrem nas primeiras horas do sono (fase do sono profundo), durante os quais e criança assenta na cama, anda, tem movimentos articulados, mas não tem auto-censura e nem noção de perigo.Ocorre com mais freqüência ente oito e doze anos, numa incidência de até 15 %  das crianças.O sonâmbulo  pode desenvolver atividades corriqueiras como sentar-se na cama, andar a passos lentos pela casa e vestir-se ou tirar a roupa. Uma minoria manifesta comportamentos mais complexos, como preparar refeições, pular janelas e andar de bicicleta – enquanto, na verdade, ainda estão dormindo. Esses episódios podem durar alguns segundos ou se estender por 30 minutos ou até mais.

            Nesta fase não respondem a estímulos e dificilmente são acordadas, e se acordadas,   não se lembrarão do ocorrido.  O distúrbio não  está relacionado a disritmias (mas deve-se pensar nelas) e desaparece com a maturação do sistema nervoso central. Como essas crianças não têm noção de perigo, devem ser tomadas providências para prevenir situações de risco: trancar janelas e portas.

            Dependendo da sua freqüência, pode ser necessário o uso de medicamentos.

 

                                

 

 

 

 

 

                                    

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