Doutor Carlos Leite

22 de dezembro de 2008

Educação é dever da família

Arquivado em: Pediatria — admin @ 5:23

 

As crianças são o futuro do país e, como pais, professores e pediatras,  passam por nossas mãos e sempre sofrem nossa influência.  Temos obrigação de cuidar para que essa influência seja positiva e duradoura.

 Além de proteção e orientação, os pais são  responsáveis por educá-los, tarefa básica, não transferível à escola.

 A educação é transmitida progressivamente, como o crescimento de uma planta. Não conseguimos “construir” rapidamente uma árvore. A semente plantada exige cuidados diários,  água, adubo, sol, eliminação de joio, poda de algum galho, escora para que mantenha o porte que desejamos. E  mesmo assim, se desenvolve lentamente. 

Assim é a educação: plantamos a semente e com nosso zelo, exemplo, um ambiente tranqüilo, cuidados necessários e com coerência dos pais, diariamente,  desde cedo e ao longo dos anos,  inserimos nossos conceitos básicos: acreditar em DEUS e louvá-Lo; mostrar-lhes que a família é nosso bem mais precioso e que deve ser preservada e mantida coesa; que honestidade é obrigação e não predicado; que entre os nossos deveres de cidadania está a obrigação de participar das mudanças constantes da sociedade, influindo para que sejam justas.  Como a melhor maneira de ensinar é o exemplo, inclui página ” DEVERES DE CIDADANIA”, para que praticando-os, eles nos imitem. 

Valores ensinados desde cedo, diariamente, em pequenas doses, sem pressa, são bem assimilados. Se ultrapassarmos a quantidade útil de cada vez, poderemos levar a uma indigestão cerebral, com perda do conteúdo.

A educação é restritiva.  É alicerçada na definição de deveres e direitos de cidadania,  que devem ser explicados e discutidos para que sejam entendidos e obedecidos: cumprir seus deveres e cobrar seus direitos sempre que eles forem desrespeitados.

“A falta de limites afasta muito os pais dos filhos. Estes precisam de liberdade, mas se não tiverem limites, quando você vê, já estão longe”  ( Ma. Helena Conceição – empregada doméstica, no suplemento Bem Viver do jornal Estado de  Minas, comentando sobre assaltos cometidos por adolescentes de classe social alta)     

Com a definição de deveres, estabelecemos limites: significa dar o rumo, orientar, educar, dar o exemplo e quanto mais cedo seu começo, melhor. Se seu filho de um ano pega objeto que não pode, ou se faz algo que coloca sua integridade em risco,  você vai ensiná-lo que não pode.

Com isto quero dizer que não existe idade para começar a educar: é agora. É claro que só mais tarde, depois de aprender a não fazer, é que ele vai entender o porquê. Quando alcançar esse nível de compreensão você deve discutir a razão das negativas, dando-lhe chance de questioná-las. Quando você conhece a razão das coisas é mais fácil aceitar. E quando você questiona sem convencer, deve aceitar a conduta estabelecida e cumpri-la.

 É possível corrigir condutas, mas é melhor fazer as coisas certas desde o começo: é fácil criar um bom hábito, mas consertar um mau hábito é difícil, demorado e às vezes doloroso.

 É indispensável coerência entre os pais, tios, avós,  para que, gradativamente, com firmeza sempre presente, possam introduzir seus valores e princípios. As normas domésticas, vividas desde cedo e entendidas, respeitando os limites, direitos e deveres de cada um, sem privilégios, promovem a harmonia e o respeito familiar,   facilitando a sua adaptação na sociedade: são bem aceitas e assimiladas para o resto da vida.

Também a determinação de pequenas tarefas, respeitando a capacidade de cada membro, é importante no treinamento da responsabilidade: lavar o carro da família, lavar a louça do almoço, arrumar o quarto.

 Cada filho tem um gênio, um temperamento e uma sensibilidade diferentes. É necessário que você os conheça para saber o melhor modo de alcançá-lo, e mais ainda, como chamar-lhe a atenção.

 Crianças muito sensíveis exigem tratamento diferenciado para não afetar sua sensação de segurança. Uma repreensão mais áspera pode ter efeito contrário. 

  A família é a base da sociedade e tem a responsabilidade de transmitir sua cultura, sua tradição, religião, conceitos de honestidade, justiça, direitos e deveres. Ocorre uma natural mudança com a sucessão das gerações, mas o básico permanece A educação começa em casa com a implantação desses princípios.

“A melhor forma de transmitir as virtudes é pelo exemplo, pela coerência” Miguel Srougi

 A família e a escola têm tarefas específicas e complementares, mas entre as comuns, a escola deve ajudar cuidando de reforçar os  critérios de  justiça e   disciplina, na revelação de seus talentos pessoais, ensinando o respeito mútuo com os colegas e professores, estimulando a democracia por permitir diálogo e argumentação.

 Você deve escolher uma escola que valoriza os mesmo princípios que você e apoiá-la para que possa cumprir sua tarefa: pregando a obediência às normas que regem o relacionamento das pessoas naquele local e o cumprimento das obrigações.  Mas, não se esqueçam a orientação da educação  é  responsabilidade da família. Devem participar da Associação de Pais de Alunos, para garantir que seja democrática e dê espaço às reivindicações dos alunos ( estamos criando cidadãos que devem aprender a argumentar e defender seus pontos de vista), que sejam justas e combatam o “bulling” no seu espaço (Em tradução livre, seria colocar a criança na berlinda, torturá-la, com isolamento, agressão física ou verbal. Em geral por alunos, mas pode ocorrer por dirigentes. Sempre resultando em graves conseqüências para a criança, como depressão, baixo rendimento escolar, desinteresse pelo estudo,etc.).             

   Até a adolescência, mantendo as regras básicas, cumprimos bem nossa missão. Na adolescência, sem data certa para começar e acabar, começa a secreção de hormônios sexuais que promovem intensas mudanças,  tanto físicas quanto emocionais. A libido floresce, ocorre o estirão do crescimento, aparecimento de pelos (barba, axilas, genitais), a pele modifica sua aparência com as acnes, crescimento do pênis e testículos e mudanças correlatas nos genitais femininos,  mudança do tom de voz.

O corpo está pronto para a atividade sexual, mas e a mente? Garanto que não. Há insegurança, insatisfação com a aparência. É a fase do “patinho feio“, que demora a virar “cisne real“. É uma nova fase em que as coisas ficam mais complicadas.  A criança sofre uma metamorfose e, lentamente,  vira um adulto: precisamos entender essa nova idade, uma mudança que gera luto e insegurança. Luto pela perda da identidade de criança e insegurança para adotar a imagem de adulto sem saber como será ela.

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