Os alimentos ingeridos produzem a energia necessária para manutenção de todas as funções do organismo: atividade cerebral, temperatura corporal em níveis corretos, atividade muscular (cardíaca, movimentação, respiração, etc.). Mas a produção de energia gera também a produção de calor, que se excessivo, deve ser dissipado para não alterar o metabolismo das células, que exigem temperatura corporal próximo de 36º. Consideramos febre temperatura acima de 37,5 C.
Um carro, ao queimar o combustível para sua movimentação, também produz calor para aquecer o motor à temperatura ideal ao seu funcionamento. Se a temperatura se eleva além da ideal, o calor excessivo é eliminado pelo radiador.
Do mesmo modo o corpo humano usa a sua superfície para irradiar para o ambiente o calor em excesso e manter a temperatura do corpo ideal para sua função. Quanto maior a diferença entre e temperatura do corpo e do ambiente, mais fácil e rápida será a perda de calor. O inverso também é verdadeiro: temperaturas ambientais altas impedem a perda da temperatura do corpo por radiação, obrigando-o a usar outros mecanismos para isto. Por esta razão devemos manter a criança febril em ambiente ventilado e com pouca roupa.
Alguns exemplos de situações que podem elevar a temperatura corporal: infecções em geral, exercícios físicos, desidratação hipertônica (quando há perda maior de água que sal ou quando se tenta hidratar a criança com mais sal do que precisa), quando a temperatura ambiente está elevada dificultando a irradiação do calor do corpo (Estudo em Nova Orleans mostrou, que à temperatura ambiente de 34 graus C, a temperatura em um automóvel fechado atingiu 51 graus em 20 minutos e 60, em 40 minutos. Deixar uma janela um pouco aberta não afetou a elevação rápida da temperatura: ficam evidentes os perigos de se deixar criança sozinha em veículo fechado. Nos congestionamentos do trânsito, use o ar condicionado e/ou ofereça líquido as crianças. Nessas condições apenas a irradiação do calor não basta e o organismo deve usar outros meios para manter a temperatura em níveis ótimos para a sua atividade.
Essa tarefa é realizada pelo Centro Termo-Regulador, localizado na base do cérebro. Para isto esse Centro determina a redução do metabolismo (diminui a produção de energia), a dilatação dos vasos superficiais para facilitar a irradiação do calor para o ambiente (por isto ficamos corados durante o exercício; no frio, para conservar calor, o sangue é desviado da pele para as vísceras e ficamos pálidos).
Se isto não basta, produzimos suor, que evaporado, promove a perda mais rápida dessa temperatura. Em casos de infecção, a febre é uma reação de defesa do organismo e só é prejudicial quando causar mal estar, ou, se elevar acima de 42º C, quando altera o funcionamento das células, inibindo a ação de enzimas celulares. Antigamente usava-se provocar febre alta para tratar certas doenças.
Nem sempre o nível da temperatura corresponde à gravidade da doença.
Como combater a febre:
1 – Mantenha a criança com pouca roupa, em quarto ventilado, (sem corrente de ar) para facilitar a perda do calor do corpo para o ambiente.
2 – Ofereça os líquidos que a criança aceitar para manter-se hidratada. Com aumento da temperatura do corpo, a perda de água pela respiração é maior. Para economizar água o corpo reduz o volume de urina, que fica mais concentrada (escura). Por isto ofereça líquidos (Suco de frutas, água de côco, chás) com mais freqüência.
3 – Um banho morno, de início próximo à temperatura do corpo, resfriado aos poucos, promove a perda da temperatura para a água, de maneira mais rápida do que para o ambiente. Se assentada na banheira ou bacia, mantenha úmida a sua pele que está fora da água. Isso formará uma película de água sobre a pele, que evaporando, provocará perda mais rápida da temperatura.
4 – Alternando antitérmicos de grupos diferentes a cada 3 a 6 horas: por serem substâncias diferentes não causarão superdosagem.
Por exemplo, até 30 quilos (K).
Dipirona 1 a 2 gotas cada 2 k de peso Ex 4 k = 2 a 4 gts 6 k = 3 a 6 gotas por dose
Paracetamol (200 mg/ml) 1 a 2 gotas por k de peso
Ibuprofeno 50mg/ml 1 a 2 gotas por k de peso (100 mg/ml= dê a metade) Ex 4 k = 4 a 8 gotas 6k = 6 a 12 gotas por dose
Dipirona gotas: 20gotas= 500 mg = 10 ml xarope =1 comprimido
Paracetamol: 20 gotas = 200 mg = 6ml xarope(aproximado
Você deve começar com a dose mais baixa. Aumente, gradativamente, se essa dose se mostrar insuficiente. A sensibilidade de cada organismo para medicamentos não é igual: a dose correta de remédios sintomáticos é a menor dose que provocar o efeito que esperamos.
Para mascarar o sabor do medicamento, nem sempre agradável, você poderá acrescentar-lhes açúcar ou leite condensado, mas nunca use mamadeira para administrar medicação: se o seu sabor for desagradável, seu filho poderá associá-lo à mamadeira e passar a recusá-la.
Cada medicamento pode ser repetido 4 a 6 vezes por dia. Se alternados, não precisamos aguardar intervalo entre eles. Eventualmente o supositório de dipirona infantil (300 mg, que pode ser partido em 2) pode ser útil em caso de febre e vômitos, ou, durante a noite, não precisando acordá-lo. Para febre de difícil controle podemos usar dipirona injetável, IM ou IV.
O uso de aspirina (aas, melhoral, acido acetil salicico), que é um ótimo analgésico e antitérmico, teve limitada a sua utilização em pediatria devido ao aumento da incidência de Síndrome de Reyes, (importante encefalopatia com degeneração do fígado) quando de seu uso em viroses, em especial catapora e influenza. Hoje sua prescrição em pediatria só é aceita em casos especiais. .
Controlada a febre, verifique outros sintomas: se está abatida, desidratada, se tem vômitos, diarréia, dor de cabeça, ouvidos ou de garganta, coriza, tosse, canseira. Se tiver, é melhor levá-la ao médico.
Se após controlar a febre a criança não tiver outros sintomas importantes e a sua disposição voltar ao normal, pode estar com uma virose, que pode não ser importante. A febre vai retornar, mas de maneira irregular e podemos aguardar e observá-la por um tempo.
Mas quando a criança estiver abatida, é melhor que o médico a veja logo.
Telefones úteis:
Seu médico, seu celular, e de colegas de consultório.
Toxicologia 3239-9223 -3239-9223
Pronto socorro mais próximo
Serviços de ambulância:
SAMU 192
BOMBEIROS 193