Doutor Carlos Leite

30 de novembro de 2008

Febre: o que fazer

Arquivado em: Pediatria — admin @ 16:52

                    

            Os alimentos ingeridos produzem a energia necessária para manutenção de todas as funções do organismo: atividade cerebral, temperatura corporal em níveis corretos, atividade muscular (cardíaca, movimentação, respiração, etc.). Mas a produção de energia gera também a produção de calor, que se excessivo, deve ser dissipado para não alterar o metabolismo das células, que exigem temperatura corporal próximo de 36º. Consideramos febre temperatura acima de 37,5 C.

              Um carro, ao queimar o combustível para sua movimentação, também produz calor para aquecer o motor à temperatura ideal ao seu funcionamento. Se a temperatura se eleva além da ideal, o calor excessivo é eliminado pelo radiador.

            Do mesmo modo o corpo humano usa a sua superfície para irradiar para o ambiente o calor em excesso e manter a  temperatura do corpo ideal para sua função. Quanto maior a diferença entre e temperatura do corpo e do ambiente, mais fácil e rápida será a perda de calor. O inverso também é verdadeiro: temperaturas ambientais altas impedem a perda da temperatura do corpo por radiação, obrigando-o a usar outros mecanismos para isto.  Por esta razão devemos manter a criança febril em ambiente ventilado e com pouca roupa.

           Alguns exemplos de situações que podem elevar a temperatura corporal: infecções em geral, exercícios físicos, desidratação hipertônica (quando há perda maior de água que sal  ou quando se tenta hidratar a criança com mais sal do que precisa), quando a temperatura ambiente está elevada dificultando a irradiação do calor do corpo (Estudo em Nova Orleans mostrou, que à temperatura ambiente de 34 graus C, a temperatura em um automóvel fechado atingiu 51 graus em 20 minutos e 60, em 40 minutos. Deixar uma janela um  pouco aberta não afetou a elevação rápida da temperatura: ficam evidentes os perigos de se deixar criança sozinha em veículo fechado. Nos congestionamentos do trânsito, use o ar condicionado e/ou ofereça líquido as crianças.   Nessas condições apenas a irradiação do calor não basta e o organismo deve usar outros meios para manter a temperatura em níveis ótimos para a sua atividade. 

            Essa tarefa é realizada pelo Centro Termo-Regulador, localizado na base do cérebro. Para isto esse Centro determina a redução do metabolismo (diminui a produção de energia), a dilatação dos vasos superficiais para facilitar a irradiação do calor para o ambiente (por isto ficamos corados durante o exercício; no frio, para conservar calor, o sangue é desviado da pele para as vísceras e ficamos pálidos).

             Se isto não basta, produzimos suor, que evaporado, promove a perda mais rápida dessa temperatura.  Em casos de infecção, a febre é uma reação de defesa do organismo e só é prejudicial quando causar mal estar, ou, se elevar acima de 42º C, quando altera o funcionamento das células, inibindo a ação de enzimas celulares. Antigamente usava-se provocar febre alta para tratar certas doenças.

            Nem sempre o nível da temperatura corresponde à gravidade da doença.

                                       Como combater a febre:

  1 – Mantenha a criança com pouca roupa, em quarto  ventilado, (sem corrente de ar) para  facilitar a perda do calor do corpo para o ambiente.

2 – Ofereça os líquidos que a criança aceitar para manter-se hidratada.  Com aumento da temperatura do corpo, a perda de água pela respiração é maior.   Para economizar água o corpo reduz o volume de urina, que fica mais concentrada (escura).  Por isto ofereça líquidos (Suco de frutas, água de côco, chás) com mais freqüência.

3 – Um banho morno, de início próximo à temperatura do corpo, resfriado aos poucos, promove a perda da temperatura para a água, de maneira mais rápida do que para o ambiente. Se assentada na banheira ou bacia, mantenha úmida a sua pele que está fora  da água. Isso formará uma  película de água sobre a pele, que evaporando, provocará perda mais rápida da temperatura.

4 – Alternando antitérmicos de grupos diferentes a cada 3 a 6 horas: por serem substâncias diferentes não causarão superdosagem.

 

Por exemplo, até 30 quilos (K).

 Dipirona 1 a 2 gotas cada 2 k de peso Ex 4 k = 2 a 4 gts     6 k = 3 a 6 gotas por dose

 Paracetamol  (200 mg/ml)        1 a 2 gotas por k de peso   

Ibuprofeno   50mg/ml     1 a 2 gotas por k de peso (100 mg/ml= dê a metade)                          Ex 4 k = 4 a 8 gotas      6k  = 6 a 12 gotas por dose

    Dipirona gotas: 20gotas= 500 mg = 10 ml xarope =1 comprimido       

   Paracetamol:  20 gotas = 200 mg = 6ml xarope(aproximado          

             Você deve começar com a dose mais baixa.  Aumente, gradativamente, se essa dose  se mostrar insuficiente. A sensibilidade de cada organismo para medicamentos não é igual: a dose correta de remédios sintomáticos é a menor dose que provocar o efeito que esperamos.

            Para mascarar o sabor do medicamento, nem   sempre agradável, você poderá acrescentar-lhes açúcar ou leite condensado, mas nunca use mamadeira para administrar medicação: se o seu sabor for desagradável, seu filho poderá associá-lo à mamadeira e passar a recusá-la.  

               Cada medicamento pode ser repetido 4 a 6 vezes por dia. Se  alternados, não precisamos aguardar intervalo entre eles. Eventualmente o supositório de dipirona infantil (300 mg, que pode ser partido em 2) pode ser útil em caso de febre e vômitos, ou, durante a noite, não precisando acordá-lo.  Para febre de difícil controle podemos usar dipirona injetável, IM ou IV.

                 O uso de aspirina (aas, melhoral, acido acetil salicico), que é um ótimo analgésico e antitérmico, teve limitada a sua utilização em pediatria devido ao aumento da incidência de Síndrome de Reyes, (importante encefalopatia com degeneração do fígado) quando de seu uso em viroses, em especial catapora e influenza.  Hoje sua prescrição em pediatria só é aceita em casos especiais. .

                Controlada a febre, verifique outros sintomas: se está abatida, desidratada, se tem vômitos, diarréia, dor de cabeça, ouvidos ou de garganta, coriza, tosse, canseira. Se tiver, é melhor levá-la ao médico.

             Se após controlar a febre a criança não tiver outros sintomas importantes e a sua disposição voltar ao normal, pode estar com uma virose, que pode não ser importante. A febre vai retornar, mas de maneira irregular e podemos aguardar e observá-la por um tempo.

           Mas quando a criança  estiver abatida, é melhor que o médico a veja logo. 

                        Telefones úteis:

                        Seu médico, seu celular, e de colegas de consultório.

                        Toxicologia  3239-9223 -3239-9223

                        Pronto socorro mais próximo

                        Serviços de ambulância:

                                                              SAMU               192

                                                               BOMBEIROS   193

 

 

 

                      

       

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