Doutor Carlos Leite

30 de novembro de 2008

Gripe aviária

Arquivado em: Pediatria — admin @ 10:13

                                                   A GRIPE AVIÁRIA                        

                                     Continua uma ameaça real                                   

                                                                                                      

                           Em 1997 foi identificado, no sudoeste asiático, um novo vírus patogênico para aves, classificado como Influenza A-H5N1, que causou epidemia, dizimando milhões de aves. Os vírus ainda estão circulando e as aves migratórias têm facilitado a sua disseminação para vários países do Oriente e Europa, prevendo-se que deve se espalhar para todo o mundo.

          Até agora sua transmissão para humanos, só ocorreu em condições especiais: após intenso contacto com aves contaminadas, suas vísceras ou excrementos, provocando doença de  alta letalidade. Porcos também podem ser seu reservatório. Há relato de transmissão entre humanos, ocorrido em família da Indonésia, quando não se conseguiu determinar a via de transmissão: Se,  como acontece com a gripe comum, que se propaga através das gotículas respiratórias eliminadas com a tosse ou espirros, ou por contato com superficies contaminadas. Com menos de 300 casos humanos registrados, já causou 148 óbitos. 

          A  Organização Mundial de Ssúde (OMS) acredita que pela mutação do vírus aviário ou sua associação com o vírus humano, criará condições para que ele ultrapasse barreiras de espécies,  infecte humanos com mais facilidade, tornando comum sua transmissão pessoa a pessoa.

          Isto já ocorreu  em 1918, quando vírus aviário modificado em suinos, H1N1,  circulou por 39 anos e levou a 100 milhões de óbitos, conhecida como  Gripe Espanhola.  Repetiu-se em 1957, com o vírus H2N2, que causou oa Gripe Asiática, que circulou por 11 anos, e mortalidade de 86.000, nos EUA e 1 milhão no mundo. Em 1967, a Gripe de Hong Kong, cujo vírus ainda circula. completou  o grupo das três grandes pandemias de gripe no século XX. Se de fato isto ocorrer com o H5N1, poderá causar  uma pandemia como as 3 ocorridas no século passado,  pois em se tratando de vírus novo, encontrará a população mundial sem nenhuma proteção.

O único meio de proteção será aplicação de vacinas, ainda em desenvolvimento por todos os laboratórios mundiais que se dedicam a essa atividade e realizam  pesquisas para sua produção. Já existem tres tipos de  vacinas testadas em humanos, com bons resultados conforme publicações no Lancet,(2, 2001 e 2004) e no J Infect Dis (2005)

A prevenção da infecção é feita evitando os locais que possam ter aves ou pocilgas, e também o consumo e manipulação de seus derivados (carne, ovos, sangue),  se mal cozidas. Aqui no Brasil existem grupos de trabalho dedicados ao reconhecimento e bloqueio dos casos confirmados, alem de outras atividades, para que não sejamos pegos de surpresa. Mas essas medidas são modestas e insatisfatórias O Instituto Butantã está se aparelhado para iniciar a produção de vacinas contra a gripe aviária ainda este ano, mas o seu início depende do conhecimento do vírus que irá circular, impossível de se reconhecer com antecedência.

Os vírus têm a propriedade de mudar as suas características com facilidade, inativando vacinas anteriores, que eram úteis. A OMS orienta as pesquisas e tem coletado amostras de todos tipos vírus de H5N1, que já circularam até o momento, em busca daquele que poderá predominar.

 Se, em viagem aos países em que há casos de gripe aviária, evite locais que possam ter bandos de aves, pocilgas e não coma ou manipule ovos ou carne de aves ou de suinos mal cozidas. No retorno, caso apresente sinais de infecção, procure logo seu médico.

 

04/02/2009 -   A Clinical Trial of a Whole-Virus H5N1 Vaccine Derived from Cell Culture. 

Hartmut J. Ehrlich,  H5N1, publicado no NEJM, 12/06/08- A/Vietnam/1203/2004 vírus usado em vacina de célula inteira, cultura em célula vero (e não embrião de ovo), inativado em formalina e Ultra violeta, na fase 2 de ensaio, patrocinado pelo Laboratório Baxter, mostrou eficacia após 2 doses.

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