RESSURGE A GRIPE ESPANHOLA ?
Um “novo” vírus influenza A (H1N1), de origem suína foi detectado em abril de 2009, no México. Ele está infectando populações no país de origem de onde alcançou os Estados Unidos, e de lá, vários outros países, principalmente do hemisfério norte, onde viroses de vias aéreas não são comuns nesta época: o normal é que elas ocorram no outono/inverno e não no começo da primavera que se instala lá. O CDC/Atlanta informa que os níveis de influenza detectados são maiores do que o normal para essa época do ano, e a maioria dos vírus detectados no território americano corresponde ao A(H1N1). Não sabemos se este H1N1 é o mesmo que causou a Gripe Espanhola, em 1918 e agora retorna com mutação genética que reduziu sua virulência, pois os casos acompanhados até agora mostram complicações e óbitos semelhantes àquelas da gripe sazonal. A composição genética deste “novo” vírus foi desvendada: é composto de 8 tiras de RNA: duas de origem suína (da Ásia e Europa), uma fração aviária e outra humana. Na época da gripe espanhola era impossível sequenciar seu genoma. O IOC atua como Laboratório de Referência Nacional para Influenza, credenciado pelo Ministério da Saúde, e integra há mais de 50 anos a rede da Organização Mundial da Saúde (OMS) de centros nacionais de influenza. A rede nacional de laboratórios de vigilância em influenza também é integrada pelo Instituto Adolfo Lutz (SP) e pelo Instituto Evandro Chagas (PA), que atuam como Laboratórios de Referência Regional do Ministério da Saúde.
Os cientistas do IOC também sequenciaram o genoma dos três casos de H1N1 confirmados aqui no Brasil. 2 cariocas e um mineiro Os resultados foram enviados ao CDC/Atlanta, que confirmou igualdade com o sequenciamento feito lá.
Ainda não temos previsão do comportamento desse vírus com relação e gravidade das infecções e suas complicações. Sabemos que está provocando uma pandemia (epidemia de caráter mundial, que deve se estender a todos os países), ainda não reconhecida pela OMS, que insiste em manter em 5, o grau de alerta. Os valores do alerta vão de 1, o mínimo, a 6, o máximo, e só se referem aos focos de infecções nos países. O nível 6 é alcançado quando três ou mais países de regiões diferentes apresentam focos autóctones. Não tem qualquer relação com a virulência do agente: é uma maneira de se conhecer uma pandemia, que obriga a que todos os países do mundo tomem medidas preventivas, no sentido de controlá-la, inclusive fechamento de fronteiras. Até agora tem causado infecções com pouca gravidade, complicações e taxa de óbitos comparáveis à gripe sazonal. Contudo como todo vírus, tem capacidade de mutações que alteram seu comportamento. No Brasil estamos nos aproximando do inverno, quando há elevação dos casos de influenza sazonal, que junto com a dengue, tem os quadros iniciais semelhantes ao da gripe H1N1: febre alta, dor de cabeça e no corpo, rinite e vômitos e diarréia. A separação começa com dados epidemiológicos: visita a países que apresentam casos dessa gripe ou contato com viajantes que estiveram nesses locais nos últimos 10 dias,, mesmo que se apresentem sadios. Isto dificultará o diagnóstico precoce, indispensável para se promover o isolamento necessário, obrigando a realização de exames de laboratório, que são caros e demorados.
A virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do IOC, esclarece importantes aspectos da epidemia: a influenza é um vírus presente em diversas espécies animais, sendo que foram descritos no vírus influenza A 16 tipos de hemaglutininas (H) e 9 de neuraminidades (N). Quando ocorrem mudanças em segmentos genômicos destes vírus, podem surgir cepas pandêmicas. Então, sempre existe a possibilidade dos diversos vírus influenza circulantes se rearranjarem, sejam de origem humana ou animal.
diretora-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Margaret Chan.
A circulação de vários tipos de vírus facilita as trocas de material genético entre eles, e tememos que possa haver associação com o vírus, ainda em circulação, da gripe aviária, A- H5N3, extremamente grave, mas incapaz de transmissão entre humanos. Uma fusão poderá lhe dar essa capacidade.
Mesmo sem essa associação, o impacto de uma pandemia causada por vírus como esse é difícil de prever: depende da virulência do vírus, da imunidade existente entre as pessoas, da proteção cruzada por meio de anticorpos adquiridos com as infecções sazonais de gripe e com o estado de higidez de cada pessoa.
A diretora-geral precisou que uma das principais preocupações é a entrada do inverno no hemisfério sul, que poderia contribuir para que o vírus se misture com outro, sofra mutação “e troque material genético de formas imprevisíveis”.
A discrepância entre os óbitos ocorridos no México e no resto do mundo cria a possibilidade de que o vírus em circulação no México seja ligeiramente diferente daquele em outros países. Essa hipótese, no entanto, só poderá ser comprovada por meio de análises laboratoriais. O infectologista Stefan Cunha Ujvari disse à BBC Brasil que ainda é preciso observar o perfil das pessoas que morreram em decorrência do vírus no México. “Se forem crianças, idosos ou pessoas que já sofrem de outras doenças, é justificado o maior número de mortes ocorrido naquele país”, disse Ujvari.
É certo que essa gripe nos alcançará. O CDC/Atlanta, que organizou o esquema de enfrentamento da epidemia, criou normas que transcrevo por sua utilidade.
Conduta melhor será procurar manter-se saudável, com boa alimentação, rica em frutas, redução ou abstenção de fumo e bebidas alcoólicas, evite estresse, choques térmicos, frio e exercícios excessivos, mantenha atividades recreativas, quantidade normal de sono. Evite contatos com pessoas gripadas, mantenha distancia dos interlocutores (acredita-se que as exalações orais podem ser transmissíveis, se com distancia menor de um metro dele) e, naturalmente, evite os cumprimentos com beijinhos e apertos de mão. Evite tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos, que devem ser lavadas com água e sabão com freqüência ou friccione-as com álcool gel. Evite ter álcool líquido em casa, mais propenso a provocar acidentes.
VIAJANTES QUE SE DESTINAM ÀS ÁREAS AFETADAS
Aos viajantes que se destinam aos países afetados:
• Em relação ao uso de máscaras cirúrgicas descartáveis, durante a permanência nos países afetados seguir rigorosamente as recomendações das autoridades sanitárias locais.
• Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável
• Evitar locais com aglomeração de pessoas.
• Evitar o contato direto com pessoas doentes.
• Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
• Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
• Lavar as mãos freqüentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
• Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens recentes a esses países.
• Não usar medicamentos sem orientação médica.
Atenção! Todos os viajantes devem ficar atentos também às medidas preventivas recomendadas pelas autoridades nacionais dos países afetados.
Aos viajantes que estão voltando de viagens internacionais:
Viajantes procedentes de outros países, independente de ter ou não casos confirmados, que apresentarem alguns dos sintomas da doença até 10 dias após saírem dessas áreas afetadas devem:
• Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima.
São considerados CASOS SUSPEITOS:
a) Pessoa que apresentar febre alta de maneira repentina (acima de 38ºC) E tosse, podendo estar acompanhadas de algum dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dificuldade respiratória; E ter apresentado sintomas até 10 dias após sair de países que reportaram
casos pela Influenza A (H1N1);
OU
b) Ter tido contato próximo*, nos últimos 10 dias, com uma pessoa classificada como caso suspeito de infecção humana pelo novo subtipo de Influenza A (H1N1).
* Para o Ministério da Saúde, contato próximo é a pessoa que cuida, convive ou teve contato direto com secreções respiratórias ou fluidos corporais de um caso suspeito.
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NÃO É RECOMENDADO que a população tome medicamentos por conta própria, pois a automedicação pode mascarar ou atenuar sintomas, além de provocar resistência ao medicamento específico para influenza. Se as pessoas sentirem alguns dos sintomas, devem procurar um serviço de saúde imediatamente
Piscinas e spas -Recentes estudos do CDC revelam que níveis recomendados para piscinas(1 a 3 partes por milhão-ppm) são adequados para desinfecção dos vírus aviário (A– H5N3) e deste novo vírus (A-H1N1) , e 2 a 5 ppm para Spas.
Medidas que ajudam na sua proteção;
· Estar atento sobre a incidência de casos em seu país e, especialmente sua cidade.
· Mantenha-se saudável, evitando estress e excessos físicos (noites mal dormidas, bebidas alcoólicas em excesso), exposição excessiva ao frio, choques térmicos.
Se já existirem casos em sua cidade:
· Mantenha as mãos limpas, lavando-as com freqüência com água e sabão, ou usando álcool.
· Evite contato com pessoas gripadas, ou provenientes dos paises em que ocorrem casos dessa infecção.
· Evite aglomerações e ambientes com pouca ventilação.
Se você apresentar quadro de infecção respiratória:
· Use lenço de papel para cobrir a boca ao tossir e para higiene nasal. Cuidado ao descartá-lo.
· Procure o seu médico ou posto de saúde ao primeiro sinal de infecção de vias aéreas.
Crianças até 18 anos não devem usar aspirina ou derivados, caso tenham suspeita da gripe.
Indivíduos saudáveis assintomáticos
Manter distância de no mínimo um metro de qualquer indivíduo com sintomas de gripe, e:
_ Evitar levar as mãos à boca e ao nariz.
1 _ Higienizar as mãos com freqüência, utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas, especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas.
_ Reduzir o máximo possível o tempo de contato com pessoas potencialmente doentes.
_ Reduzir o máximo possível a permanência em ambientes com aglomeração de pessoas.
_ Nos ambientes que estiver freqüentando, melhorar o fluxo de ar,abrindo as janelas por exemplo.
Fora do ambiente de serviços de saúde, não há evidências que demonstrem benefícios do uso de máscaras cirúrgicas ou respiratórias para a proteção contra a exposição ao vírus em ambientes abertos.
Se optar por utilizar máscara, o uso adequado das mesmas segue os seguintes parâmetros:
_ Colocar a máscara cuidadosamente para cobrir a boca e o nariz e ajuste-a corretamente para melhor adaptação ao formato do rosto.
_ Evitar tocar na máscara durante o seu uso. Se tocar na máscara, para removê-la, por exemplo, higienizar as mãos utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas.
_ Trocar a máscara quando apresentar umidade.
_ Utilizar máscara isoladamente, sem seguir as recomendações descritas acima, não garante proteção.
Não há evidências que comprovem proteção para o uso de máscaras cirúrgicas para a população em ambiente aberto.