Doutor Carlos Leite

25 de abril de 2009

Gripe suína

Arquivado em: Pediatria — admin @ 23:08
       A influenza, ou gripe, é causada por um dos 3 tipos de vírus INFLUENZA: A, B, ou C. Somente o A, o mais agressivo deles, pode provocar pandemias, seguido do B, enquanto o C tem pouca importância clínica: por isto as vacinas são compostas de 2 vírus do tipo A e um vírus do tipo B. Porcos e aves são reservatórios desses vírus, que por mutação, passam a acometer humanos, quando os vírus são chamados de Influenza Humana. Todos têm estrutura simples e só vivem em células vivas, de onde tiram material para sua multiplicação. A sua composição genética vária muito, possibilitando mutações que enganam as defesas do organismo humano, impedindo que  ele desenvolva anticorpos protetores e dificultando a produção de vacinas, que devem ser diferentes a cada ano.

Por isso a ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS) mantém rede de vigilância permanente, da qual o Brasil participa, monitorando as cepas predominantes em nosso território. As informações  enviadas a OMS ajudarão a compor o plantel de vírus circulantes no mundo, naquele momento. Desse plantel são selecionados os mais atuantes, pois eles terão maior possibilidade de se difundir e provocar epidemias. Esses vírus são cultivados em embriões de ovo de galinha e amostras são distribuídas para todo o mundo, para que as vacinas sejam iguais. 

Já se inicia também cultura do vírus em células de mamíferos (células vero, extraídas de rim de macaco verde africano, pela sua facilidade de cultivo, sem sofrer mutações) usada pelo Laboratório Baxter,  que reduz o tempo de produção, de seis meses para um mês, alem da redução do seu custo de produção. Atualmente, é necessário um ovo para cada dose de vacina produzida. O novo meio de cultura  é importante porque possibilita produção da vacina rapidamente, tão logo seja identificado o vírus, e, em massa, não dependendo do estoque de ovos.

  Esses vírus são transmitidos, através das vias aéreas entre indivíduos da mesma espécie até que mutações propiciem adaptações para rompimento da barreira das espécies, levando ao acometimento de outros animais e mesmo pessoas.

Isto já ocorreu  em 1918, quando vírus aviário modificado em suínos, H1N1,  circulou por 39 anos e ocasionou  cem milhões de óbitos, conhecida como  Gripe Espanhola.  Repetiu-se em 1957, com o vírus H2N2, que causou a Gripe Asiática, que circulou por onze anos, e mortalidade de 86.000, nos EUA e 1 milhão no mundo. Em 1967, a Gripe de Hong Kong, cujo vírus ainda circula, completou o grupo das três grandes pandemias de gripe no século XX.

Desde 2003 a OMS controla a circulação do vírus aviário, A-H5N1, identificado no sudoeste asiático, que continua causando milhões de mortes de pássaros. Acomete aves, com poucas infecções em humanos, mas todos de extrema gravidade e elevado número de óbitos. Seu acometimento de humanos supõe-se ser devido a contacto intenso com aves e porcos, suas vísceras e excrementos, ou ingestão de carne mal passada, desses animais. Apesar do contagio humano difícil, alcançou pessoas de vários paises da Ásia e mesmo Europa, incluindo a Inglaterra.   A adaptação deste vírus poderá causar  uma pandemia como as três ocorridas no século passado, pois em se tratando de vírus novo, encontrará a população mundial sem nenhuma proteção.

Agora a OMS informa que, desde fim de março ocorre um tipo incomum de gripe humana no México, com acometimento de perto de mil pessoas e ocorrência de 57 óbitos. Diferente dos outros casos de gripe, a sua incidência ocorreu entre jovens e pessoas de meia idade, poupando as faixas mais susceptíveis (abaixo de 3  e acima de 60 anos). Na Califórnia e Texas, há registro de sete casos documentados, que evoluíram sem complicações. O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos) identificou o agente como um vírus Influenza A, H1N1, nunca visto antes, composto de material genético de vírus aviário, suíno e humano.

A OMS comprova a sua transmissão entre pessoas, por via respiratória e admite a possibilidade de epidemia mundial (pandemia), com focos nos Estados Unidos, que mantém intenso trafico aéreo com todo o mundo, a sua difusão será rápida. Importante,  mesmo considerando-se a baixa gravidade, até o momento,  das infecções que produz em humanos. Mas existe o risco de associação com o vírus da gripe aviária (H5N1), muito mais virulento, que poderia se adaptar para transmissão direta entre as pessoas. Sabe-se que a circulação do vírus entre a população pode facilitar mutações que aumentam sua virulência.

A proteção contra qualquer gripe só é conseguida através de vacina, ainda não disponível contra esses dois novos tipos de vírus. Medidas como evitar contato com pessoas gripadas,  provenientes dos paises em que ocorrem casos dessa infecção, manter as mãos sempre limpas, evitar choques térmicos e ambientes com pouca ventilação, podem reduzir a sua incidência.

Embora não tenha efeito protetor contra esse novo vírus, aconselho a aplicação da vacina anti gripe programada e desenvolvida para aplicação neste outono, com os vírus que circularam até agora,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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