Doutor Carlos Leite

30 de novembro de 2008

Saúde mental – Iniciação sexual

Arquivado em: Pediatria — admin @ 16:16

              Iniciação sexual -  Existe época certa ?

 

          Na maioria das famílias sexo continua sendo conversa inexistente, se não proibida, em especial quando se trata de filhas. E é sobre elas que falaremos. Houve uma mudança rápida no comportamento dos jovens,  que precisamos entender e tomar uma posição. Eles estão mais livres e autênticos, o que considero uma vantagem, mas ao mesmo tempo se sentem donos do mundo, com direito à busca total de prazeres. Muitas vezes sem medir as  conseqüências de seus atos.

          Ainda outro dia li comentário da professora  Graciela Ribeiro, que observava pequena  criança brincando em um jardim, sob a vigilância da mãe. A menina olhava as flores e tocava suas folhas, quando a mãe advertiu: “Cuidado com as lagartas”. Imediatamente a menina, parou assustada e correu para junto da mãe, procurando proteção. Como interpretar? A mãe ensinou que as lagartas podem nos causar mal, mas faltou ensinar como se proteger delas, impedindo que sua filha  amadurecesse e obtivesse prazer tocando as plantas. Ensinar porque devia se cuidar e como  fazê-lo, seria mais lógico.

         Em conversa com a mãe de um tenista de outro estado, que sempre  se hospedava conosco quando participava de torneios aqui, eu elogiava seu comportamento. Ela agradeceu mas comentou que “É, mas em turmas, todos calçam 44”. Com isto mostrou que sabe a importância das  “tribos” que ditam condutas do grupo e a necessidade de “pertencerem”a elas. Mostrou que assimilou as mudanças de comportamento dos jovens, e, pela conduta de seu filho, que havia conversa franca entre eles, o que lhe deu  segurança para “pertencer a uma tribo”, sem perder sua individualidade e   recusar  os comportamentos  com que não concordasse.

          Com relação ao sexo, temos de ter uma atitude madura assim, diferente daquela mãe que alertou a filha contra as lagartas. Devemos instruí-los sobre o assunto, completando os conhecimentos que recebem nas aulas de educação sexual da escola e os comentários da tribo, discutindo suas dúvidas sobre as informações que recebem continuamente através da TV, revistas, conversas com colegas.

         Não existe idade certa para iniciar uma vida sexual. Se antigamente o normal para as meninas era que ocorresse após o casamento, a impressão que se tem hoje, é que isto não ocorre mais. E a idade de início está cada vez mais precoce,  independente da maturidade física. Pior ainda,  da maturidade mental e emocional. Cada família deve escolher o seu caminho: determinar que sexo só após o casamento, e exercer vigilância? Será que conseguiremos ou ela o fará escondido? Ou discutir os vários aspectos que envolvem essa iniciação: o aspecto religioso (entre meus clientes tenho, pelo menos uma família, que resolveu  asssim  essa questão), aspecto moral, a necessidade de consciência plena para que não tenham sensação de culpa e isso impeça  que mais tarde possam ter relações normais e prazerosas?

        Qualquer que seja a decisão, devemos fazer a vacina contra HPV, sem que isto signifique liberação para o sexo,  e alertar para as possíveis implicações, como gravidez indesejada e suas conseqüência (antes que aconteça, faça-a imaginar-se grávida com as conseqüências naturais: conflito familiar, ingresso precoce  na vida adulta e suas implicações,  responsabilidades com o filho e estar preparada para  criá-lo  sozinha; estar pronta para mudar todos seus projetos de vida, interromper os estudos, abdicar de festas e baladas:  casamento por obrigação seria solução?); os vários  métodos anticoncepcionais, inclusive a pílula do dia seguinte (que só deve ser usada excepcionalmente, para que não perca a eficacia), doenças ligadas ao sexo e como evitá-las.

          É comum que os meninos se vangloriem de seus feitos, diminuindo o conceito de uma boa menina, que entrou nessa de inocente. Ela deve saber que isto pode ocorrer e evitar esse tipo de relacionamento.

           Deixe claro que todos eles terão direito a essa atividade, na hora certa, com  respeito, que sua iniciação deve ser consciente, com afeto e que nunca deve ser  vulgarizado.  Devem conhecer meios de se conduzir, quando não estiverem mentalmente maduras para a decisão,  e, quando decidirem que é hora, saibam se proteger contra doenças e gravidez.

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