Muitas mães se queixam que seu filho não come (ou come menos do que ela gostaria? )
Normalmente o pediatra acompanha o desenvolvimento das crianças com gráficos de peso, altura e perímetro cefálico. Se as curvas não são satisfatórias, se aproximando das zonas críticas, ele procurará identificar as causas. Muitas vezes a criança segue o modelo genético dos pais, que foram miudos e magros em determinada fase. Mesmo quando estão bem nas tabelas as mães se queixam. Pondere:
1- É normal que tenhamos flutuações no apetite, sem razão aparente que podem durar 1 a 2 semanas e que passam sem necessidade de cuidados. Isto também ocorre com as crianças. Nas fases de inapetência, não se preocupe e não o pressione para comer mais.
2- Quando as crianças estão na fase de negativismo (ou afirmação?), recusam tudo que lhes sugerimos, inclusive alimentação. E têm satisfação em ver nossa preocupação. Fica bem claro quando se percebe que longe dos pais, o apetite é normal. Não demonstre preocupação e aguarde a passagem da fase.
3- Se o problema não se resolve, estabeleça rigor nos horários de refeição e não permita alimentos fora do horário, em especial balas biscoitos e outras guloseimas. Se ele recusa uma refeição, não a substitua por outro tipo de alimento: ele terá de aguardar a hora da próxima refeição, ou aceitar aquela que havia recusado.
4- É natural que não gostemos de alguns alimentos dos grupos de verduras, frutas, legumes e outros. A criança também tem esse direito: de recusar alguns alimentos, mas não todos. Se a idade for adequada, deixe que ela escolha aquelas frutas, legumes e verduras de que não gosta e aquelas de que gosta. Diga-lhe que estas que ela escolheu deverão ser aceitas quando oferecidas ( mas sem forçar).
5- Use a criatividade- “Doure a pílula”:faça pratos variados,coloridos, para estimulá-lo. O sabor dos alimentos é influenciado pelo odor, cor, aspecto . Por esta razão os alimentos industrializados contem aditivos para alterar a sua cor, cheiro e gosto tornando-os mais desejados. Esses aditivos são de origem química: geralmente utilizando fungos para se alimentarem da casca de uma fruta, assimilando o cheiro. Depois purificados e aprovados pela ANVISA ou Ministério DA AGRICULTURA, podem ser adicionados aos alimentos. Esta é uma das razões para não usar esses alimentos em bebes com idade inferior a um ano.
Acrescente alimentos que sabemos que ele gosta (molho branco, leite condensado, bolos, sorvetes, suflê): espinafre com molho branco, legumes a milanesa, omelete, suflê ou panquecas de legumes ou verduras, cozido com carne, verduras e legumes, bolo de cenoura, suco de couve com limão, suco de inhame cru com limão, mamão com leite condensado, sorvete caseiro de frutas, vitamina de frutas com leite condensado etc
6- Sirva seu prato com todos os ingredientes colocados à mesa e coma sua refeição para exemplo. Nunca comente que não gosta deste ou daquele alimento.
7- Valorize o lado positivo daquele alimento: espinafre faz ficar forte como o Popeye, cenoura faz a pele e os cabelos ficarem mais bonitos, carne faz o muque aumentar, tomate faz o chute ficar mais forte, etc. O Zico, do Flamengo, era raquítico e só se tornou astro da Seleção, com a ajuda de nutricionista que o ensinou a comer “bem”..
Se a fase se prolonga demais e você está preocupada (se ela está perdendo peso, some na hora das refeições ou prefere fazê-las sozinha, se preocupa por estar gorda e admira a magreza das modelos) peça ao seu pediatra para avaliar o risco de anorexia nervosa e a necessidade de lhe dar alguma vitamina ou complemento alimentar. Ele saberá o que fazer.
Nunca transforme o horário de uma refeição em uma competição: aí há sempre um perdedor, e se for ele, poderá tomar aversão à comida.
É sempre útil lembrar que os padrões de saúde deixaram de ser o daquela criança gordinha de antigamente: hoje se cultua o perfil esbelto, sabidamente mais saudável, mas muito diferente do perfil das modelos que fazem desfiles.
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