Icterícia – O bebê recebe o oxigênio de que necessita através da placenta e como a oferta não é abundante, precisa de número elevado de glóbulos vermelhos, ou hematias, que transportam o oxigênio. As hematias do adulto são substituídas a cada 120 dias, mas as do bebê duram entre 30 e 60 dias. Quando elas se rompem, liberam um pigmento que deve ser filtrado pelo fígado por ser tóxico, se alcançar níveis elevados. Como o fígado do recém nascido não tem os enzimas necessários para cumprir essa tarefa por ser imaturo, a bilirrubina se acumula em seu organismo, dando-lhe a característica cor amarelada. Esta é a icterícia mais comum, a fisiológica, que começa no segundo dia e se eleva até o quinto dia, ( quando alcança 10-12 mg%) raramente alcançando níveis tóxicos, que se situam próximo de 20 mg%. Se a criança é prematura, teve sofrimento fetal, ou sepse, a toxicidade ocorre com níveis mais baixos e deve ser controlada com dosagens no sangue. Deve-se marcar o intervalo dos exames para que se possa conhecer a velocidade de seu incremento. Quando alcança níveis perigosos (além da cor amarelada, o bebê fica sonolento, sugando mal, bocejando) deve-se tomar providencias para reduzi-lo o que se consegue com fototerapia (banho de luz), troca do sangue ou outros procedimentos.
De qualquer modo, se o seu bebê está ictérico, deve ser avaliado por pediatra, pois existem outras causas para ela, que requerem tratamento. Como exemplo, a infecção do trato urinário (ITU) do recém nascido, que causa uma hepatite reacional. A bactéria alcança os rins por via hematogênica, e como em toda ITU em crianças de baixa idade, deve ter investigação laboratorial para afastar refluxo vesicoureteral ou causas obstrutivas.
A causa mais grave é aquela que ocorre quando o sangue materno é Rh (-)e o do bebê é Rh +. Na primeira gravidez através da placenta ocorre passagem de hematias Rh +, que se mistura ao sangue materno, levando à produção de anticorpos contra as hematias Rh +. É necessário que a mãe use uma “vacina” logo após o parto para destruir essas hematias Rh +, antes que eles induzam anticorpos anti R+. Caso contrario, em outra gravidez com bebê Rh + estes anticorpos podem promover a destruição maciça dessas hematias Rh + levando à icterícia grave antes do mesmo do nascimento do bebê. Algumas vezes obriga à troca do sangue do bebê no útero materno. O bebê nasce muito ictérico e a bilirrubina alcança níveis tóxicos, obrigando à troca do seu sangue, associada à fototerapia.
Toda gestante Rh (-) que sofre aborto deve receber a “vacina”, pois não se pode determinar qual o Rh do feto perdido.
Mas esses são apenas tipos de icterícia, que como disse acima, deve ser avaliada por pediatra para afastar outras causas, doenças infecciosas, doenças metabólicas. Existe também aquela chamada do “leite materno”, por estar relacionada à substância veiculada no leite materno: geralmente é tardia e os níveis de bilirrubina são baixos. Mas pode se prolongar no tempo: o tratamento se resume à suspensão do leite materno por 24 a 48 horas. Infecções do feto também levam à icterícia. Hipotiroidismo é outra causa.
Umbigo – O curativo no coto umbilical deve ser feito com álcool absoluto para que ele desidrate e caia mais rápido, pois já não tem mais função. Esse curativo pode ser feito várias vezes por dia, gotejando álcool em toda a sua extensão e no lugar mais importante que é na sua base, junto à pele do abdome. A seguir envolva-o em gaze umedecida em álcool. Se puder, evite molhá-lo durante o banho, pois assim ele será hidratado novamente, retardando a sua queda e facilitando infecção. Observe e nos avise se apresentar mau cheiro, ou se a gaze que o envolve ficar manchada de sangue, ou se a pele ao redor de sua base fica vermelha.
Evacuações As fezes eliminadas nos primeiros dois ou três dias (mecônio) são escuras e viscosas. Logo serão substituídas por fezes liquidas amarelo ouro, com grumos brancos. Mesmo quando as fezes são líquidas a criança pode fazer força e gemer para eliminá-las. Isto pode significar falta de coordenação entre a contração do intestino e abertura do ânus: em alguns casos massagens no abdome, seguido de flexão das coxas sobre o abdome, podem facilitar a evacuação.
Algumas vezes as fezes tomam a cor esverdeada – isto significa que o trânsito intestinal está mais rápido: a bile, que é amarela, lançada no intestino logo após o estômago, para ajudar na digestão das gorduras, não se oxidou totalmente e tomou esta cor.
A freqüência das evacuações é individual: no início após cada mamada, depois vai reduzindo para duas a três vezes por dia. A evacuação pode ocorrer cada 3 a 4 dias e ser normal, desde que as fezes sejam amolecidas e a criança não tenha desconforto e cólicas devido aos gases produzidos pelas fezes retidas. Quando as fezes ficam mais consistentes, trazendo dificuldade e desconforto na sua eliminação, pode-se usar leite com pre-bióticos que torna as fezes mais macias, elém de reforçar a imunidade.
A urina é eliminada com intervalos de ½ a 2 horas. O aumento desse intervalo pode ser devido a desidratação. Nos meninos, observe se sua urina tem jato forte, que é o normal; se não tiver, avise ao seu pediatra – pode ser devido a válvula de uretra posterior, que é uma causa de infecção urinaria de repetição. A fralda deve ser trocada com a freqüência necessária: toda a região da fralda deve ser limpa com algodão embebido em água morna (nas meninas na direção da vagina para o ânus). Em seguida aplique creme para proteger a pele.
Espirros e soluços – Os espirros são comuns e na maioria das vezes é a maneira que o bebê usa para desobstruir as narinas. Os soluços são causados pela compressão do estômago cheio no diafragma, que separa o abdome do tórax: por isto é mais freqüente após as mamadas.
Ingurgitamento dos seios – Alguns bebês apresentam crescimento dos seios nas primeiras semanas; as meninas podem apresentar até pequeno corrimento sanguinolento. Isto ocorre devido ao hormônio materno que passa na placenta e não tem gravidade, desaparecendo em algum tempo. Não faça massagens ou tente espremê-los.
Unhas – Os músculos de flexão das mãos dos bebês são fortes e tendem a se contrair ao encontro de qualquer obstáculo. É comum que arranhe o rosto dessa maneira, se suas unhas estiverem grandes. Mantenha-as aparadas e o melhor momento para cortá-las é quando ele estiver dormindo.
Cólicas – nem toda criança tem cólicas. Elas começam após duas semanas, e são típicas: a criança fique inquieta, resmunga e começa um choro crescente por alguns minutos, melhorando. Mas a cólica volta a se manifestar. Peça orientação de qual remédio pode usar. Não se esqueça que muitos bebês tem a” unhappy hour”, que é um período de desconforto no fim do dia, quando ficam irritadas, ranhetas, chorando muito, como se o sono provocasse dor. O que se tem de fazer é reduzir as luzes e o barulho da casa, tomar o bebê no colo e passear com ele pela casa. Cantigas de ninar podem ajudar. Depois de certo tempo elese acalma e então você poderá deitá-lo no berço, que ele dormirá facilmente.
Regurgitação - é devido a imaturidade da junção entre o esôfago e o estômago, que permite a volta do alimento do estômago, que as vezes se exterioriza como vômito. A maioria dos recém nascidos tem refluxo logo após as mamadas: é o refluxo fisiológico ou normal. Alguns bebês continuam regurgitando até a próxima mamada, não ganham o peso esperado e choram demais. Devem ficar em observação para afastar o refluxo patológico, que provoca inflamação do esôfago, pela acidez do conteúdo gástrico refluído, podendo ser necessário uso de condutas próprias.
Ciúmes do ex-caçula – Se ele não foi preparado para a chegada do irmão, vai sentir a troca da atenção que era dele para o irmão. Veja o folheto “Protegendo a saúde mental” que orienta o que deve ser feito.
Alimentos probióticos - alguns leites contêm bactérias que são benéficas ao funcionamento do intestino. Essas bactérias resistem às enzimas da digestão, diminuindo a formação de gases e facilitando na formação do bolo fecal. São conhecidos pelo nome do leite, acrescido de PRO e têm importância também na prevenção de infecções e alergia, além de combater o intestino preso.
Lembrete; Leite materno ordenhado – conserva-se bem durante 8 horas em temperatura ambientes, e 15 dias congeladas. No seu aquecimento deve usar banho-maria.
Como foi dito acima, se você é Rh (-) e teve bebê com Rh (+) ou aborto sem determinar o sangue do feto, peça a “vacina” ou globulina anti-Rh.
Acido fólico – Em 1992 o Center for Diseases Control and Prevention (CDC) recomendou para as mulheres que planejam engravidar o uso de suplemento de ácido fólico com três meses de antecedência da data da fecundação, como prevenção de defeitos do tubo neural.
Toxoplasmose Essas mesmas candidatas à gestante, que não tiveram toxoplasmose (dosagem de IgM ou IgG, no sangue dão essa informação) devem se cuidar. Se elas se contaminam durante a gravidez, pode haver extensão ao feto, causando lesões graves.
Gestantes que não tiveram a infecção primária da Toxoplasmose, devem ter cuidados para certas atividades: Não comer carne mal passada (quibe cru, carpaccio, churrasco mal passado) Manipular carnes cruas só com luvas – Não prove carne enquanto tempera – Evite contato com terra: use luvas nas atividades de jardinagem
Em restaurantes, verduras só bem cozidas Não coma doces e salgados feitos com ovos crus, como maionese e mousse. Evite contato com cães, gatos, pombos: se os tem em casa, desinfete os locais que eles freqüentam.
Rubéola e catapora - Se a dosagens de IgG dessas doenças foi negativa, três meses antes de sua próxima gravidez, providencie a aplicação das respectivas vacinas
Não é frequente, mas lactentes que consomem leite de vaca in natura podem desenvolver também hipocalcemia neonatal tardia, com convulsões tetania e hiperfosfatemia. Apesar de o leite de vaca ser rico em cálcio, sua absorção é prejudicada pelo elevado teor de fósforo e baixo de lactose, sendo ainda agravada pela perda desse mineral pelas fezes, na forma de sabão de palmitato de cálcio. Tanto o nível de cálcio sérico quanto o de magnésio podem estar baixos. A perda de sangue nas fezes é frequente, que pode levar à anemia, podendo ocorrer ainda o desenvolvimento de alergia ao leite de vaca.
Exame do pezinho – assim chamado porque inicialmente o sangue era colhido em papel de filtro, por punção da parte postero-lateral do pé, para rastreamento de três doenças. Com o aumento das patologias rastreadas que hoje são feitos, a coleta do sangue pode ser feita por punção venosa. São pesquisadas 6 patologias, no perfil básico, 8 no perfil ampliado, 11 no perfil plus e 17 no completo.
Teste da orelhinha – a prevalência de déficits auditivos é calculada em 3 casos por 1.000 nascimentos, por isto a tendência de só realizar o teste da orelhinha em casos de risco (infecções intra-uterinas, diabete gestacional, toxemia gravídica, prematuridade, hipóxia, icterícia, sepse, historia familiar de surdez na infância, etc.) deve se estender a todo recém nascido. Caso não seja possível o teste de potencial evocado ( usando sonda introduzida no canal da orelha, emite-se um som, que a cóclea responde: isto mostra a integridade do primeiro neurônio da audição e das células ciliadas da cóclea) pode-se usar a pesquisa do reflexo cocleo-palpebral, ou, o stratle, que o pediatra pode realizar. Esse exame, quando indicado, deve ser feito no primeiro mês: se houver necessidade alteração que precise de intervenção, a data ótima é até três meses.
Reflexo vermelho – pesquisa que agora é obrigatória no exame de todo recém nascido. A sua presença mostra que os meios transparentes do olho estão normais. É feito pelo pediatra, no primeiro exame.
Pesquisa do sinal de Ortolani, também obrigatória para afastar lesões do quadril do recém nascido. Também realizado pelo pediatra no primeiro exame.
Exame oftalmológico Bebês que ficaram muito tempo na incubadora, usando oxigênio, ainda devem fazer exame oftalmológico para identificar possíveis lesões da retina.
Banho de sol para produção de vitamina D - se o bebê usa apenas fralda, com o resto do corpo descoberto, bastam 5 minutos diários de sol, entre 7 e 10 horas da manhã, sem barreira (vidraça) intermediária. Se vestido, mas sem proteção da cabeça, 20 minutos diários bastam.
Fimose – Nos Estados Unidos todo recém nascido masculino era operado de fimose (excesso de pele do prepúcio, com orifício estreito), independente de solicitação dos pais. Alegava-se que era para reduzir o câncer de colo uterino, que hoje já se sabe devido ao Vírus do Papiloma Humano. Aqui, cirurgia só quando não se consegue dilatar o orifício, usando-se pomada e forçando um pouco. O excesso de pele com orificio estreito facilita aparecimento de infecção urinária.
BCG – A vacina BCG às vezes provoca aparecimento de nódulo na axila direita. Algumas vezes seu volume incomoda ao bebê e outras vezes chegam a drenar. Se acontecer isto, comunique-se com seu médico.
Bolsa escrotal - Pode ter seu volume reduzido quando um (ou ambos os testículos) não desceu. Os testículos são formados dentro do abdome, de parte do broto renal inicial. Devem migrar para a bolsa escrotal através do canal inguinal, que se inicia dentro do abdome e termina na bolsa. Às vezes retarda ou não consegue migrar e a sua posição deve ser corrigida. Antigamente aguardava-se até 6 anos para sua correção, tempo depois reduzido para dois anos, e, atualmente cirurgiões sugerem que seja feita antes de um ano. Seu pediatra vai orientá-la.
– pode ter o seu volume aumentado quando ocorre acúmulo de líquido proveniente do abdome em segmento (cisto do cordão) ou ocupando todo um lado da bolsa (hidrocele), ou, mais importante: quando uma alça intestinal desce pelo cordão formando uma hérnia. Necessita avaliação urgente pelo pediatra. Não esquecer que torção do testículo pode provocar aumento de voluma, além de dor intensa, necessitando cirurgia de urgência.