Doutor Carlos Leite

7 de novembro de 2008

Prefacio

Arquivado em: Pediatria — admin @ 13:29
 

 

            Após quase duas gerações cuidando de crianças e orientando suas famílias, continuo com a certeza de  que o amor maior é o de pais para os filhos. Sonhamos com a sua chegada, e quando eles chegam, trazem uma imensa felicidade, tomam posse de nossa vida e a alegria deles passa a ser a nossa alegria, incondicionalmente e sem cobranças.

            E a preocupação dos pais é não errar. Sonham criar filhos saudáveis, honestos, seguros, que tenham sucesso e que sejam felizes. Mas cada bebê é único e não comparável. Devemos observá-los para compreendê-los, para saber como trata-los mais tarde.

            E como agir para alcançar nosso objetivo? A nossa reação é passar-lhes nossos valores, que recebemos  de  nossos pais, e que foram muito  úteis e suficientes na sua época, porque antes o mundo era pequeno: todos se conheciam, tinham os mesmos costumes e as  mudanças eram lentas e previsíveis: sabia-se de tudo, o que permitia que a liberdade e que os limites fossem elásticos. Nossos pais tinham a certeza de estar fazendo o certo.

            Perdemos o encontro coletivo diário, em volta da mesa de refeições: era o momento em que todos se encontravam: trocavam idéias, contavam suas vitórias ou frustrações, buscavam apoio, discutiam, ouviam conselhos e muitas vezes censuras. Mas tudo isto estreitava os laços afetivos, facilitava a transmissão da cultura, resolvia problemas. Hoje essa assembléia familiar só é possível nos fins de semana, mesmo assim  não é exagero afirmar que  raramente se realiza. Poucas vezes  todos se encontram. Vejo isto com tristeza.      

            Hoje o mundo cresceu e a internet traz a informação em tempo real o que provoca mudanças mais rápidas e afetam  a educação, o relacionamento entre as pessoas  e mesmo a sua sobrevivência. Trazem a diversidade de culturas, costumes e valores para a nossa intimidade, sem que possamos filtrá-las e separar aquelas que colidem com a nossa expectativa.

             Nas novelas é raro o exemplo de casamento estável; há excesso de exposição de cenas eróticas, de casais homossexuais (estes sim, são retratados  estáveis, sem mostrar o lado da angustia e insatisfação que vivem). Não tenho preconceito, mas isto não seria um estímulo às mesmas condutas?  A família é a base da sociedade e deve ser preservada. A erotização é a regra na mídia (televisão, filmes, revistas), deixando-nos constrangidos quando assistimos  juntos esses programas, que intrigam  os adolescentes estimulando o inicio de sua vida sexual,  sem preparo psicológico, orientação de como se proteger. Quem sabe relações precoces iniciadas sem maturidade, sem o carinho e o afeto necessários, de maneira apressada, mal sucedidas, que geram  traumas, podem trazer dúvidas sobre a sua orientação  sexual, logo nesta fase em que o adolescente busca sua identidade?  Seria uma razão  para incidência aumentada desses casos?

                Estamos desorientados: queremos ensiná-los a desenvolverem sua segurança para tomar decisões, sonhamos em poder criar-lhe um caminho que possam percorrer com seu próprio esforço e que lhes propicie muitas felicidades. Nós só podemos orientar e ajudar. A decisão de qual caminho tomar é deles, mas devemos estar atentos para conversar e orientar sempre.           

                 Como agir? Qual o caminho certo? 

               Como também desejo que eles sejam felizes, apresento-lhes algumas idéias para ajudá-los, divididas em  tópicos.  Periodicamente disponibilizaremos outras, neste espaço. Você também poderá sugerir temas para serem abordados.

             Espero que sejam úteis e cumpram sua finalidade: ajudar a criar crianças sadias, felizes,  responsáveis, que sejam capazes de mudar a nossa sociedade que parece ter perdido a sua noção de valores.                                                                                                                                 

 

 

 

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