Chamamos de refluxo gastroesofágico fisiológico ao retorno do alimento do estômago, em fluxo retrógrado, para o esôfago ou órgãos adjacentes, muitas vezes mas não obrigatoriamente, manifestando-se através de vômito ou regurgitação. As vezes essa “golfada” não ocorre: o alimento chega até a garganta e volta ao estômago: é o refluxo oculto, mais difícil de diagnosticar.
Dentro de certos limites é considerado normal em lactentes no 1o ano: a criança é tranqüila, ganha peso normalmente e não apresenta nenhum sintoma. É causado pela imaturidade das fibras músculares circulares localizados na transição entre o esôfago e o estômago, formando um anel. Envolvendo a porção terminal do esôfago, exercem uma pressão que impede que este refluxo ocorra. No lactente, tem menos de 2 cm, mas amadurece e se alonga a partir de dois meses e a pressão aumenta até o normal de adulto (entre 10 e 30 mm/hg).
Quando o refluxo causa sintomas (a criança está sempre irritada, chora demais, às vezes ganha pouco peso), ou, complicações (tem infecções respiratórias e chieira freqüentes, pneumonias e otites de repetição, rouquidão) ele é chamado de refluxo gastroesofágico patológico. Nesse caso os vômitos podem ser intensos a ponto de reduzirem o ganho de peso e ocorrerem durante todo o período entre as mamadas. Sendo freqüentes, podem interferir na nutrição do lactente (que ganha pouco peso), além de aumentar a incidência de problemas respiratórios citados acima.
Mesmo quando o refluxo não é completo (só reflui até a parte superior do esôfago) pode causar irritação e inflamação nesse órgão (esofagite), que provoca dor e é responsável pelo choro freqüente. Crianças com este quadro podem ser portadoras de refluxo gastroesofágico patológico e devem, se submeter a tratamento de prova ou realizar os exames indicados para confirmar este diagnóstico, que começam com estudo radiológico. O chamado padrão ouro é a pHmetria.
O tratamento consiste em elevar a cabeceira do berço, uso de procinéticos (medicamentos que aumentam a pressão do esfincter e a motilidade gástrica), redutores da secreção ácida do estomago (de preferência inibidores da bomba de proton), às vezes troca do leite em uso para leite com adição de amido que se espessa em contato com a secreção ácida do estômago dificultanto o seu refluxo, ou , para leite de soja, e, antiácidos e analgésicos, que promovem alívio imediato, adicionados de forma progressiva e criteriosa.
Nunca é demais lembrar que a posição correta para a criança que está vomitando é: deitada de lado ou de bruços, com a cabeça mais baixa, para evitar que aspire o material regurgitado.