Pais separados
A velocidade com que as mudanças ocorrem nos deixa, às vezes, sem rumo. As separações que antes eram raras, hoje são comuns. Poucos dos pais de hoje, vieram de lares desfeitos e, portanto, têm dificuldades para compreender o sentimento dos filhos e como orientá-los para reduzir o trauma da separação.
Os pais se separam e deixam de ser marido e mulher, mas os filhos sofrem uma perda e nunca deixam de ser filhos DE AMBOS, e não são “propriedade privada”de nenhum deles.
Michael Stone, pesquisador e psiquiatra americano que estudou genética e eventos vitais de serial killers (assassinos em série), apurou que 25% da série estudada, foram criados sem o pai natural: acho isto muito sério, pois representa um quarto do total, mostrando a importância de presença do pai. ” Não se pode admitir a mãe como figura absoluta e única para o filho. Hoje a psicanalise reconhece a ausência da função paterna como tão danosa quanto a colocação da criança como parceira exclusiva da mãe” Regina Teixeira da Costa, Em dia com a psicanalise. E tem mães que, após divórcio, insistem em tornar orfãos de pais os próprios filhos, impedindo-os de contacto com os pais, não se importando com os danos mentais que estão causando. Mas não abrem mão da pensão…
É unânime entre Educadores, Psicólogos, Psiquiatras, Terapeutas, Juizados de Menores, Conselhos Tutelares, Varas de Família e todos aqueles que se preocupam com o bem estar do menor, que a convivência com ambos os pais é indispensável. Tanto é que foi instituida, por Lei, a guarda compartilhada.
É necessário que se entenda isto e que se respeite o direito deles de se relacionar com ambos os pais da maneira que quiserem, sem serem influenciados.
Não há regra para superar uma perda e se ela não for bem assimilada, certamente levará a conseqüências altamente negativas e destruidoras. Toda vivência da criança, experiências boas ou más, se fixam em seu inconsciente, passam a fazer parte de sua personalidade e interferem em comportamentos futuros, facilitando depressão, baixo rendimento escolar, insegurança, psicoses e ocorrências policiais. “Todas as minhas experiências, as ruins e as boas, me tornaram a pessoa que sou hoje.” Ian Thorpe, recordista olímpico.
Cabe aos pais evitar mais traumas além do já causado: criar o melhor ambiente, procurando manter relacionamento com o ex-cônjuge, se não amistoso, que seja o menos agressivo possível, evitando trocar comentários ou julgamentos negativos na presença dos filhos.
Embora um seja culpado pela destruição do lar, ninguém sai completamente inocente de um casamento desfeito, e a responsabilidade de proteger a estabilidade emocional dos filhos cabe aos dois, pois nunca deixarão de serem pais.
Mais tarde seus filhos acabarão fazendo o seu próprio juízo, sem sua influência e poderão concluir que o que você lhes mostrou não era real. Outro trauma desnecessário causado por sua mentira, e VOCÊ PAGARÁ POR ELA. COM CERTEZA VOCÊ TERÁ O DESPREZO DE SEUS PROPRIOS FILHOS.
Na vida, o aprendizado se baseia na imitação e eles, com o crescimento e amadurecimento, vão se aproximar e ter mais afeto àquele que julgam ter tido o melhor comportamento.
Mesmo nas separações litigiosas é necessário respeitar a imagem do genitor ausente, sobretudo na presença dos filhos. É desumano, hediondo e mesmo criminoso usar os filhos em interesse próprio, em casos de separação, mas é o que se vê com mais freqüência. No geral, é sempre o responsável pela separação que tem a pior conduta.
Como pediatra, em casos de separação, minha obrigação é defender os filhos, que são os mais fracos e não sabem o que fazer para se defender, e, não escondo isto dos pais.
Quando consigo convencê-los de que ambos têm obrigação de protegê-los, transformando a atitude belicosa em relação civilizada, sinto paz, porque cumpri a minha obrigação (ou tristeza e consciencia pesada se não consegui).
Situo os doutos Juizes das Varas de Família no mesmo patamar: DEFENSORES dos filhos de divorciados. Tarefa difícil, mais do que a de pediatras, porque eles decidem. Mas não podem se omitir (ou errar, pois lidam com o futuro de inocentes e poderão agravar traumas) e garanto que sentem a mesma sensação de paz e dever cumprido.
É importante separar o joio do trigo: um mau pai pode causar traumas nos filhos, mas são muito menores do que aqueles causados por mães que usam os filhos para tentar prolongar a união. Atentem para o fato de que estas, geralmente têm família desestruturada, processos judiciais, desavenças dentro da própria família e personalidade anti-social. Será que as vacinas dos filhos estão em dia ? Se se abrir o inconsciente destas mães vai sair tanto “demônio” que escurecerão o dia.
Concluindo: sem condições morais de tutelar filhos e, mesmo assim, têm a guarda deles.
Na nossa vivencia de 40 anos de pediatria, com lida freqüente com esse drama, vejo opinião de estudiosas do assunto, como a Psicanalista Paulista, Maria Antonieta Pizano Motta e a escritora Lya Luft, que em publicações recentes, não agem corporativamente e declaram muitas mães como responsáveis:
“Na cabeça dos juizes o que permanece ainda é o modelo de família composta de pai, mãe e filhos. Enquanto a mãe fica em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos, o pai sai para trabalhar. Esse modelo persiste até na hora da separação, em que a guarda é atribuída à mãe, supostamente mais capacitada para educar e criar os filhos. Infelizmente a justiça não enxergou ainda que a família está totalmente mudada. O direito não acompanhou as mudanças de comportamento, atribuindo a guarda à mulher, com visitas quinzenais e fins de semana alternados para os pais. Quando muito os juizes concedem uma noite a mais no meio da semana (Psicanalista Maria Antonieta Pizano Motta)”.
“Pessoas dignas preservam a elegãncia e não querem se vingar ou continuar controlando o outro através dos filhos” Lya Luft. ”As mulheres gostam de jogar com os filhos” Lya Luft, em Brasil das Gerais.
Quando olho nos olhos de um pai ou mãe injustiçado, identifico, com segurança, o culpado. Os Juizes, que darão a palavra final, com certeza sentem o mesmo. E acho, que é nosso dever identificar as personalidades anti-sociais para proteger inocentes, e, que Deus nos ilumine sempre: um erro neste nível nos fará sempre responsáveis por traumas definitivos. Se houve erro do Juiz , êle terá de curtir sua consciência ( quem sabe mais tarde êle vai julgar um marginal que ajudou a criar? ou, quem sabe, ser vítima dele?) .
Embora a criança já traga seu potencial genético desde a concepção, o meio ambiente pode alterar algumas dessas tendências no campo comportamental e emocional. Cerca de 20 por cento dos genes são múltiplos: diferente do que se pensava, podem existir mais de 2 genes correlatos, ancestrais, em cada lócus do cromosoma; cada característica parece depender de vários genes diferentes, enquanto cada genitor oferece apenas um gene de característica física : um do pai, outro da mãe, com predominância de um para se expressar.
Influências e experiências negativas do meio ambiente por tempo bastante, podem bloquear o seu desenvolvimento intelectual e ainda lhe causar trauma para toda a vida, alterando sua personalidade e aumentando sua predisposição à depressão e estresse, reduzindo-lhe a sua auto estima e causando dano permanente.
A dissolução da família sem dúvida influi grandemente na desorganização dos jovens: a freqüência de tragédias causadas ou vividas por eles atualmente nos deixa atônitos: jovens não habilitados e bêbados ao volante destruindo vidas (suas, de colegas, ou, de inocentes transeuntes); roubos e assaltos praticados por grupos de classe média alta com bom padrão de vida são quase tão freqüentes quanto aqueles praticados por jovens marginalizados. E sempre se associam a uso de drogas e a influencia negativa de mãe neurótica. Instrução (curso superior), posição social, não garantem condição de tutor. Veja a beleza da observação sobre educação de uma pessoa simples, mas sábia:
“A falta de limites afasta muito os pais dos filhos. Estes precisam de liberdade, mas se não tiverem limites, quando você vê, já estão longe” ( Ma. Helena Conceição – empregada doméstica, no suplemento Bem viver do jornal Estado de Minas).
A família não sinalizou os limites? Não teve tempo para conviver com eles e passar-lhes os valores? Não conseguiu neutralizar o poder do “grupo”? Será o estresse da sociedade, cada vez mais consumista, que não conseguimos evitar? A necessidade de sentir a adrenalina e uso de drogas? O pediatra e o Juiz não cumpriram sua parte? Ou o conjunto
de todos eles?
Precisamos estar atentos para que interrompamos esse caminho. Do contrario só restará lamentar por não termos agido corretamente.
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