Doutor Carlos Leite

30 de novembro de 2008

Saude mental – Educação sexual

Arquivado em: Pediatria — admin @ 15:35

                 Encarando a realidade do sexo

                        -  A sexualidade da criança está presente desde o nascimento. É inconsciente no início, exercida através dos estímulos do ambiente: quem nunca viu lactente sentindo prazer em manipular o penis, que ficou ereto? Já atendi consulta de menina de menos de dois anos, encaminhada de pediatra a ortopedista, e deste a mim: essa menina, com freqüência,  apertava  os membros inferiores, demonstrando prazer e chegando à sudorese. Estava se masturbando. Eles sabiam o que estão fazendo? O que os estimulou?

             A esta fase segue-se o processo consciente, quando a criança demonstra curiosidade. Começam as perguntas, que devem ser satisfeitas na medida da sua compreensão, evitando ir além do que foi perguntado. A naturalidade da conversa e a clareza das respostas são importantes para estabelecer desde cedo, uma relação saudável que permitirá sempre um diálogo franco e com liberdade, para que eles se sintam seguros para esclarecer quaisquer dúvidas. Não se esqueçam de que a iniciação neste assunto é feita em conversas com amigos.

             Acontece no mundo todo e no Brasil não é diferente: Os jovens estão iniciando sua vida sexual cada vez mais cedo, na maioria das vezes às escondidas, sem orientação ou preparo.  Isto trouxe como conseqüência um aumento na incidência das doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens de ambos os sexos (antes havia predominância do sexo masculino), e também de gravidez precoce.

            A mudança ocorrida com a liberdade sexual, agravada pela  erotização dos meios de comunicação (novelas, filmes e revistas), a nossa dificuldade em abordar esses assuntos, as facilidades da vida moderna, a moda de ficar, as festas com campeonato de beijos, (tudo encarado como natural pelo grupo, que determina o comportamento tribal), contribui para agravar esse problema. Os adolescentes precisam de uma direção, um limite e se não os fornecermos eles ficarão sem rumo e seguirão o grupo. Estamos em época de mudanças e não podemos nos alhear. Temos que nos adaptar e entender como essas mudanças afetam nossos filhos nessa época de insegurança, que é a adolescência e tomar uma posição definida.

         A sexualidade faz parte de nossa vida e é importante que forneçamos aos adolescentes uma correta orientação sobre todos os aspectos possíveis para que eles amadureçam, encarem o sexo com o devido respeito, sem banalizá-lo e desenvolvam sua responsabilidade.  Toda família deve se antecipar ao grupo e criar ambiente para conversar com naturalidade sobre liberdade e responsabilidade sexual, seus aspectos moral, religioso, emocional.

          Vivemos em grupos, que têm seu papel na educação através da troca de informações, experiências e questionamento de valores; no amadurecimento, no contato com hábitos familiares diferentes, no aprendizado do relacionar, do ceder, dividir, e mesmo agredir e se defender: sedimentar sua personalidade. Esses grupos são importantes para os adolescentes e têm mais força até do que a família. Muitas vezes sua influencia não é positiva, e não temos como evitá-la, sobretudo no que se refere ao comportamento coletivo, quando podem aceitar condutas que não aprovam, para garantir sua aceitação pelos seus pares. Mas podemos neutralizá-la ou ao menos reduzi-la e é nossa obrigação fazer isto.  

          Como a influencia do grupo é importante, é preciso que os adolescentes tenham no seio da família ambiente para sua educação sexual. É preciso que entendam que não existe época definida para inicio da vida sexual: eles podem alcançar a maturidade do corpo, mas a mente pode estar imatura para que eles assumam certos comportamentos, sem culpa ou remorsos. Um desastre na primeira relação, causado por ansiedade, imaturidade ou insegurança pode causar trauma e perdurar por toda a vida, impedindo o desenvolvimento de uma sexualidade normal e gratificante. Uma conversa franca, sem ameaças ou julgamentos, fornecendo-lhes o conhecimento necessário pode ajudá-los e evitar que se machuquem seriamente; criando uma relação de confiança, estimulando-os para não mentir nem esconder fatos, sempre deixando espaço para sua privacidade; dando-lhes a certeza de que terão sempre nossa compreensão, apoio e afeto, em qualquer circunstância, poderão criar um vínculo capaz de reduzir a influencia do grupo. A informação franca e aberta também ajuda para que os adolescentes protelem o início de sua atividade sexual, e quando o fizerem, com certeza utilizarão métodos de proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Não creio que a proibição é o bastante para resolver o problema: o proibido é atraente.

Sem que signifique liberação para o sexo, providenciem a vacina contra o HPV, numa época bem anterior aquela em que poderia ocorrer a primeira relação, para propiciar imunidade contra os 4 tipos mais freqüentes daquele vírus, que podem evoluir para câncer do colo   uterino (contra 2 vírus podem provocar câncer de colo de útero, os outros dois, verrugas genitais. Sinal dos tempos de liberdade: pasmem, ainda neste mês conceituada revista médica inglesa (Sharp Rise in HPV-Related Oropharyngeal Carcinoma — A Legacy of the “Sexual Revolution”? Zosia Chustecka BMJ. 2010;340:c1439) publicou trabalho revelando a elevação da incidência de câncer de esôfago causada por esse vírus.

Dê-lhes a liberdade de conduzir seus atos, mas com informações e façam que sejam responsáveis por seus atos.

          Pais, mostrem que confiam em seus filhos,  mas, que estão atentos. Querem conhecer o grupo e os seus programas. Participar daqueles programas que lhes permitam participar, mas monitorar todos, inclusive como motoristas no leva e traz.

 

 
 
 
      

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