Aproximando-se o inverno, aparecerão novos casos da gripe A-H1N1, como aconteceu no hemisfério norte. Boletim do Instituto Nacional de Saúde, dos Estados Unidos, informa que a transmissão do influenza A-H1N1 aumentou no inverno americano: as baixas temperaturas levam a concentração de pessoas em ambientes fechados, o que favorece as infecções respiratórias. As suas características continuam as mesmas, sem mutações importantes: é mais contagioso que a gripe sazonal, com pequena letalidade, estimada em 0,45% pela OMS, a incidência de casos secundários (2º caso no domicílio) ocorre em cerca de 1 em cada 5 casos, e a complicação principal é aparecimento de pneumonia. A faixa etária mais acometida continua sendo adultos jovens (20 a 40 anos) e a gravidade maior da doença ocorre em pessoas com imunidade reduzida, como grávidas no segundo ou terceiro trimestre(o organismo materno reduz a sua resposta imunitária para melhor aceitação do feto, diminuindo processos de rejeição), doentes com imunodeficiência por doenças (AIDS, imunodeficiência congênita), ou medicamentos (corticoides ou medicação para tumores). Parece que membro do Governo, nesta condição, adquiriu a doença.
Para que encaremos com seriedade a epidemia que se aproxima, vamos fazer um resumo do que já publicamos neste blog, com procedimentos atualizados, para que estejamos aptos a seguir os cuidados necessários. O principal deles é manter as mãos limpas: será que todos estão tendo esse cuidado?
A influenza é causada por um dos três tipos de vírus influenza: A, B ou C.
Somente o A, o mais agressivo deles, pode provocar pandemias ( epidemias com grande número de infectados, em pelo menos três regiões cadastradas pela Organização Mundial de Saúde – OMS). Ele é classificado por dois de seus componentes que facilitam a sua transmissão: Hemaglutinina (H), que tem 16 tipos, e Neuraminidase, com 9 tipos (N). Baseado nesses componentes eles são separados em subtipos. Por exemplo, A-H5N1 da gripe aviária, ainda em circulação, ou, A-H1N1, da gripe suína, semelhante ao responsável pela gripe Espanhola, que circulou em 1918, por 39 anos, causando cem milhões de óbitos
O tipo B, menos agressivo provoca epidemias localizadas, enquanto o tipo C tem pouca importância clínica. Por isto as vacinas das gripes sazonais são compostas de 2 virus do tipo A e um do tipo B , selecionados pela OMS baseada na sua disseminação pelo mundo. Para isso a OMS mantém rede de vigilância permanente, da qual o Brasil participa, monitorando as cepas predominantes em nosso território. As informações enviadas à OMS ajudarão a compor o plantel de vírus circulantes no mundo, naquele momento. Desse plantel são selecionados, em cada semestre, os mais atuantes, pois eles terão maior possibilidade de se difundir e provocar epidemias. Esses vírus são cultivados, ainda, em embriões de ovo de galinha e amostras são distribuídas para todo o mundo, para que as vacinas sejam iguais. Já se usa tambem multiplicá-los em cultura de tecidos, com muitas vantagens. As vacinas tem composição diferente a cada semestre, devido à facilidade com que os virus modificam seu núcleo protéico, tornando inofensivas as vacinas criadas contra eles no semestre anterior.
Em março do ano passado (2009) a OMS identificou tipo incomum de gripe humana, com os primeiros casos no México, onde causou alto índice de óbitos. Foi identificado como A-H1N1. Alcançou a Califórnia, se disseminou pelo território americano e daí para o mundo. A OMS informa que até o fim do ano passado já havia provocado 10.582 óbitos, em 208 países. É altamente transmissível entre pessoas, por via respiratória que alcançam pelo contato próximo com infectados ou através das mãos, se tocarem superfícies contaminadas por doentes, que ao tossir ou espirrar disseminam o vírus nos moveis e objetos. Nesses locais sobrevivem por várias horas, mas são destruídos pela limpeza com álcool ou derivados da amônia.
Penetrando pela via respiratória, alcançam a mucosa de nossos brônquios, onde invadem suas células para se multiplicar. Após 48 horas rompem as células parasitadas liberando milhares de novos vírus, para infectar novas células do mesmo organismo agravando os sintomas, e, parte eliminados pela respiração, quando alcançam outras pessoas aumentando o número de vetores para transmitir a doença..
Os sintomas são semelhantes aos da gripe sazonal, porém mais intensos: febre, tosse, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, desânimo, falta de apetite,às vezes vômitos. Pessoas com esse quadro devem ser avaliadas por médico. Dificuldade respiratória é sintoma de agravamento e precisa avaliação urgente por médico
A doença é mais grave em pacientes idosos, crianças abaixo de 5 anos, gestantes e naquelas pessoas portadoras de doenças crônicas, AIDS, ou em uso de imunossupressores (drogas para câncer ou corticoides em doses altas). As gripes, sazonal e H1N1, por serem muito semelhantes, devem ser acompanhadas clinicamente pelo seu médico ou nos postos de saúde. Exames para diagnostico, medicamentos antivirais ou antibióticos, serão usados quando necessário, e o internamento só para casos graves.
A única proteção efetiva contra o vírus A-H1N1 é a vacina, que foi desenvolvida rapidamente, porque esse vírus não apresentou, até o momento, mutação significativa. Nos Estados Unidos já começou a vacinação, com preferência para crianças, idosos, grávidas com qualquer tempo de gestação, e trabalhadores em serviços de saúde, escolas e que lidam com o público, devido à pequena disponibilidade de vacinas no momento. Os outros grupos serão vacinados a seguir.
Lá, são usados três tipos de vacina, todos monovalentes, isto é, apenas o A-H1N1: virus vivo e atenuado para aplicação em spray nasal, virus mortos em doses individuais que não contem mertiolato, frascos multi-doses de virus mortos, que necessitam conter mertiolato (ou timerosal, que é um anti-séptico mercurial) para impedir contaminação no manuseio. Segundo a OMS, em relatório de 2009, essa preparação contendo mercúrio deve ser evitada por gestantes. Em publicação de 5/1/2010, entretanto, analisando 19 pesquisas, afirma que é segura a aplicação da vacina com timerosal em gestantes e crianças.
O Ministério da Saúde do Brasil adquiriu 83 milhões de doses, todas injetáveis, das quais já recebeu 600 mil, que usará em aplicação seletiva, ainda não definida, a ser iniciada no próximo outono (abril/maio). Não sei se os Postos de Saúde têm condição de bom desempenho dessa tarefa.
Até que tenhamos sido vacinados, é necessário manter os cuidados determinados pela OMS:
Para todos os Indivíduos saudáveis assintomáticos:
Conduta melhor será que procure manter-se saudável, com boa alimentação, rica em frutas, legumes e verduras, redução ou abstenção de fumo e bebidas alcoólicas, evite estresse, choques térmicos, frio e exercícios excessivos, mantenha atividades recreativas, quantidade normal de sono. Evite contatos com pessoas gripadas, mantenha distancia dos interlocutores (acredita-se que as exalações orais podem ser transmissíveis, se com distancia menor de um metro dele) e, naturalmente, evite os cumprimentos com beijinhos e apertos de mão. Evite tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos, que devem ser lavadas com água e sabão com freqüência ou friccionadas com álcool gel: podemos tocar em secreções das vias aéreas espalhadas por tosse ou espirros, depositadas em superfícies de móveis, onde poderão ser infectantes até 8 horas. Evite ter álcool líquido em casa, mais propenso a provocar acidentes.
Se optar por utilizar máscara, o uso adequado das mesmas segue os seguintes parâmetros:
_ Coloque a máscara cuidadosamente para cobrir a boca e o nariz e ajuste-a corretamente para melhor adaptação ao formato do rosto. _ Evite tocar na máscara durante o seu uso. Se tocar nela, para removê-la, por exemplo, higienize as mãos utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas. Troque-a quando apresentar umidade.
_ Utilizar máscara isoladamente, sem seguir as recomendações descritas acima, não garante proteção. Fora de ambientes fechados ou de serviços de saúde , não há evidências que demonstrem benefícios do uso de máscaras cirúrgicas ou respiratórias para a proteção contra a exposição ao vírus.
Para todos Indivíduos com sintomas respiratórios (febre, tosse, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações ou dificuldade respiratória): _
Higienizar as mãos com freqüência, utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas, especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas, principalmente após tossir ou espirrar.
_ Cobrir o rosto (boca e nariz) quando tossir ou espirrar com lenço descartável.
_ Reduzir contatos sociais desnecessários Mensurar a temperatura três vezes ao dia Ficar atento para o surgimento de febre _ 38º e tosse Procurar imediatamente serviço de saúde de referência para avaliação se os sintomas acima persistirem.
Isolamento
A pessoa doente não deve receber visitas. Um telefonema é mais seguro do que uma visita. Se possível, os cuidados ao paciente devem estar a cargo de apenas um adulto.
Não é aconselhável que gestante cuide do paciente. As gestantes estão mais sujeitas à complicações, caso contraiam a doença. Além disso, a sua imunidade pode estar diminuída durante a gestação.
Todas as pessoas da casa devem lavar as mãos freqüentemente com água e sabão, ou, friccioná-las com álcool após contato com o paciente ou usar seu banheiro.
Use toalhas de papel para secar as mãos ou separe uma toalha marcada para cada pessoa (por exemplo, cores diferentes). Mantenha a casa ventilada, sobretudo nas áreas comuns: se o doente circular nestas áreas deve usar máscara.
Os antivirais têm também efeito preventivo, e, como nos pacientes infectados, devem ser usados em casos selecionados. Consulte seu medico sobre a necessidade de uso deles pelo cuidador do paciente ou outras pessoas da casa
Se você é o cuidador:
Evite estar face a face com o paciente. Use máscaras.
Se você deve segurar crianças no colo, coloque seu queixo sobre os ombros, evitando que tussam em seu rosto.
Lave suas mãos com água e sabão ou use álcool, depois que você tocar o paciente, manusear roupas usadas, ou conduzi-las à lavanderia. Evite pendurar esses tecidos antes de lavá-los, para não se contaminar.
_ Monitore-se e aos outros membros da família para sintomas da gripe e comunique aos órgãos de controle da doença ou ao seu médico, caso ocorram sintomas suspeito
Limpe superfícies, mesas de cabeceira, áreas do banheiro ou brinquedos de crianças com desinfetantes eficientes como álcool ou hipoclorito.
Tecidos, talheres, pratos de uso do paciente não precisam ser lavados separadamente, mas importante que esses itens não sejam partilhados sem lavá-los vigorosamente. Devem ser lavados, com água e sabão. Coloque no lixo roupas e outros itens descartáveis usados pelo doente. Lave suas mãos depois de contato com esses objetos
Uso de máscara
Evite manter-se próximo ao paciente (as inalações do doente são infectantes em distancias iguais ou menores que 2 metros).
Se você precisar contato íntimo com paciente (por exemplo, segurar bebê no colo), reduza esse tempo ao mínimo e use mascara cirúrgica, que podem ser adquiridas em farmácias, observando as instruções acima.