Doutor Carlos Leite

3 de dezembro de 2008

Uso de antibióticos

Arquivado em: Pediatria — admin @ 15:43

USO RESPONSAVEL DE ANTIBIÓTICOS

          

 

Além da poluição ambiental, que põe em risco nossa saúde, esse ar  que nos envolve também é rico em bactérias e vírus, prontos para nos atacar, provocando doenças.

A maioria desses germes é neutralizada pela nossa resistência natural e pelas  bactérias que habitam    nosso organismo ( pele,  boca, intestino, etc.)  cujo conjunto é chamado de microbiota. Essa microbiota não nos causa doença e, pelo contrario, até nos ajuda, dificultando que bactérias que causam doenças se estabeleçam nesses órgãos. Algumas  produzem vitaminas que nos são úteis. Logo após o nascimento todo recém nascido recebe uma injeção de vitamina K, indispensável ao mecanismo de coagulação do sangue. Após a primeira amamentação, bactérias que se implantam em seu  intestino  passam a  produzir essa vitamina, dispensando futuras injeções.

Também é conhecida a diarréia por destruição de nossa flora intestinal, que pode ocorrer após uso de antibióticos, especialmente aqueles potentes, (de largo espectro). Esses são  capazes de destruir bactérias de várias espécies,  inclusive aquelas que vivem em qualquer parte do nosso corpo e nos são úteis. Esta é uma das muitas razões porque o uso de antibióticos deve ser judicioso.

Os médicos sabem quais  as bactérias que mais comumente causam cada doença,  e  assim podem prescrever antibióticos de curto espectro, isto é, que só atingem poucas bactérias, incluída aquela que se supõe ser a  causadora da infecção atual. Conhecendo as bactérias que mais comumente causam inflamação de garganta, de ouvidos, da pele, dos rins, e assim por diante, podem selecionar aqueles antibióticos apropriados àquela infecção e que também têm menos efeitos indesejáveis (efeitos colaterais). Algumas infecções têm sinais clínicos que permitem identificar com segurança o agente causador. Por exemplo: algumas  amigdalites, erisipela e impetigo (infecções da pele), escarlatina,  que  permitem afirmar qual a bactéria responsável: nesses casos é o estreptococo.

Por essas e outras razões, só o médico, depois de examinar seu filho, e quando achar próprio, solicitar exames de laboratório,  pode lhe receitar o antibiótico correto, na dose e intervalo certos e por tempo suficiente, que deve ser seguido,  para exterminar aquela infecção.

 Uso incorreto desses medicamentos (dose insuficiente, intervalo excessivo e por período inferior ao prescrito) pode não eliminar a bactéria totalmente , permitindo o desenvolvimento de resistência naquelas bactérias não eliminadas, que na sua multiplicação geram bactérias já resistentes e já não respondem ao antibiótico antes efetivo. Esse é o modo comum de inicio das  chamadas  bactérias multi-resistentes ou bactérias hospitalares, que, pela sua gravidade, obrigam tratamento em regime de internamento, quando se usam associações de vários antibióticos e obrigando a isolamento dos pacientes, para impedir disseminação daquela bactéria .

Poucas infecções ou situações obrigam ao   uso profilático de antibióticos, como é o caso de algumas cirurgias, febre reumática e infecções urinárias de repetição.

Somente algumas infecções causadas por vírus necessitam de medicamentos específicos (antivirais). Por não serem sensíveis à ação dos antibióticos comuns, estes não devem ser usados.

Não use antibióticos sem prescrição médica.

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