Doutor Carlos Leite

4 de dezembro de 2008

Vacina contra gripe

Arquivado em: Pediatria — admin @ 16:40

                             

 A influenza, ou gripe humana, é causada por um dos 3 tipos de vírus INFLUENZA – A, B, e C- Somente o A pode provocar pandemias e é o mais agressivos deles, seguido do B, enquanto o C tem pouca importância clínica.

Todos têm estrutura simples, e só vivem em células vivas, de onde tiram material para sua multiplicação. É transmitida, de pessoa a pessoa, por gotículas respiratórias ou mãos contaminadas. 

A sua composição genética vária muito, possibilitando mutações que enganam as defesas do organismo humano. Por isso a ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS) mantém vigilância permanente da qual o Brasil participa, monitorando as cepas predominantes em todo o mundo, pois elas terão maior possibilidade de se difundir provocando epidemias. Esses vírus são cultivados em embriões de ovo de galinha, e distribuídos para todo o mundo, para que as vacinas sejam iguais.  Já se usa também cultura do vírus em células de mamíferos (células vero, usada pelo Laboratório Baxter, para obtenção da primeira vacina contra gripe aviária, ainda em estudo),  que reduz o tempo (seis meses à 1 mês) e o preço (atualmente, 1 ovo = 1 dose da vacina) da sua fabricação.

Já está na fase de testes em humanos uma vacina contra gripe, de vírus atenuados, aplicados por aerossol nasal.

 Na fabricação das vacinas atuais, os vírus (2 tipos de A e 1 tipo B, compondo a vacina trivalente) são inativados em formalina, o que os impede de causar doença Anualmente são selecionadas duas vacinas: um tipo para o hemisfério norte, selecionado no inverno do hemisfério sul e outro, diferente, para o hemisfério sul, selecionado no inverno do hemisfério norte.

 Os vírus selecionados comporão as vacinas que serão aplicadas no outono, pois as epidemias de gripe ocorrem com mais freqüência no inverno. Por conter apenas vírus mortos é impossível que a vacina provoque gripe. 

Recomendamos sua aplicação após 6 meses de idade e que seja repetida anualmente, no outono, pois como já vimos a sua composição muda todo ano. O seu índice de proteção vai alem de 80%, mas não tem efeito direto algum sobre a gripe aviária. Indiretamente pode contribuir para reduzir a circulação de vírus Influenza humano tornando menos provável sua associação com o  agente da gripe aviária, H5N1, com troca de material genético, que é um dos meios de adaptação do vírus aviário para contaminação humana  ocorrido nas epidemias anteriores. Reduzem também o número e gravidade das infecções bacterianas, que comumente complicam o curso das gripes.

Em 2003 foi licenciada nos Estados Unidos vacina trivalente de vírus vivos, atenuados, para uso em pessoas saudáveis de 5 a 49 anos, para aplicação por spray nasal: facilita a aplicação em massa, é mais barata por exigir menor volume da vacina, induz produção de anticorpo local (IgA)  além do circulante.  Ensaios controle, com aplicação em duas doses, em crianças mostraram efetividade de mais de 90% na prevenção da doença. Ainda não disponível no mercado.

Já existe medicamento contra a infecção, tanto preventivo, quanto terapêutico: é o antiviral oseltamivir, que deve ser usado logo no início da infecção, mas trabalhos recentes mostram que o vírus já adquiriu resistência contra ele.

                             

 

 

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