Doutor Carlos Leite

3 de dezembro de 2008

Vacinas especiais

Arquivado em: Pediatria — admin @ 20:28

 

                 VACINAS UTILIZADAS SOMENTE EM CONDIÇÕES ESPECIAIS

 

                                       VACINA CONTRA FEBRE AMARELA                                                

             

                   A Febre Amarela é urna doença infecciosa grave, causada por vírus que pode ser transmitido por picada do Aedes Aegypte, mosquito que também transmite a Dengue e que prolifera intensamente em nossa cidade desde 1996. Como a permanência prolongada do vetor (mosquito) em alta densidade é o pré-requisito para a ocorrência de uma epidemia de Febre Amarela, aconselhamos a vacinação contra a doença.                

              Devem se vacinar todas as pessoas acima de 12 meses (idade reduzida para 6 meses se houver epidemia) que não tenham contra indicação formal a esta imunização (imunodeprimidos, hipersensibilidade à proteína do ovo, doenças graves não controladas) e só deve ser feita em gestantes se houver epidemia franca.

A reação mais comum é dor no local da aplicação. Se necessário, use o analgésico recomendado.

 

        VACINA POLISSACARIDE CONTRA MENINGITE MENINGOCÓCICA                                             Por promover proteção de curta duração (em torno de 1 ano), não é usada rotineiramente. Indicada apenas em ocasiões de epidemia com identificação do tipo de meningococo responsável: A, B ou C. Existe uma vacina para cada tipo que deve ser utilizada após a identificação daquele  responsável pela epidemia.

               Pessoas de qualquer idade, que tiverem contato íntimo (acima de 24 horas na última semana) com doente com meningite meningocócica confirmada, devem ouvir seu médico para se informar se precisam  receber antibiótico profilático (o mais rápido possível).

              Dor local é a reação mais freqüente que pode ser controlada com analgésicos.

 

                      VACINAPOLISSACARIDECONTRANEUMOCOCO  23                                           

                   Composta de fragmentos de polisacaride da cápsula de 23 tipos de pneumococos, para injeção intramuscular ou subcutânea.

                   Indicada para idosos e crianças com mais de 2 anos,  em casos especiais, como imunodeficiência congênita ou provocada por uso de medicamentos (contra tumores, para evitar rejeição aos transplantes, nefrose), cardiopatias ou pneumopatias graves, insuficiência renal crônica, drepanocitose ou retirada do baço. Em crianças deve ser feito apenas um reforço, após 3 anos.

 

                                      FEBRE TIFOIDE

 A febre tifóide é uma doença infecto-contagiosa aguda, causada pela  bactéria  Salmonella Typhi, que só contamina seres humanos. É endêmica em varias partes do mundo graças a sua eliminação pelas fezes, urina e vômitos de portadores da fase aguda ou crônica da doença. A infecção ocorre por contaminação de água ou alimentos e a manifestação da doença ocorre naqueles indivíduos que receberam grande número de bactérias. Após período de incubação de 1 a 2 semanas iniciam os sintomas clínicos, muito variáveis: febre, náuseas, dor abdominal, mialgias e diarréia. Em crianças podem ocorrer convulsões, meningite pela bactéria, que pode causar também perfuração intestinal.

         A virulência da bactéria está associada ao seu antígeno polissacarídeo capsular, Vi,  do qual se produz a vacina. É aplicada IM ou SC, em dose única, acreditando-se que sua proteção no nível de 96% , que perdura por 3 anos. Por ser derivada de polisacaride não induz imunidade a longo prazo e não produz imunidade em crianças abaixo de 2 anos.

O seu uso é indicado  para crianças acima de 2 anos e adultos, em caso de epidemia ou  em viagem às áreas de risco.   

VACINA  CONTRA HIDROFOBIA                    

Alguns poucos trabalhos falam em cura da hidrofobia ou raiva. Na verdade ela é  uma virose fatal, que é transmitida por animais de sangue quente, exceto aves. Mais comum que morcegos hematófagos contaminem animais silvestres e domésticos, como bois, vacas, cabras, cães e gatos, de onde alcançam o homem.

      Depois de inoculados no organismo através de mordidas, arranhaduras,  ou,  contacto de sua saliva com lesões já existentes na pele, os vírus caminham pelos nervos regionais até o sistema nervoso central, onde causam lesão definitiva. Em casos raros, cães e gatos, mesmo vacinados, podem transmiti-la  e devem ser observados por 10 dias após possível contaminação, (tempo bastante para manifestar a doença) para ver se estavam infectados no momento do ataque.

         No animal, os primeiros sinais são mudança de humor, inquietação, salivação excessiva, agressividade, perda de apetite,  e finalmente, acometimento do sistema nervoso central e morte. Na impossibilidade de observar o animal por esse período (cães vadios, animais silvestres, morcegos) o diagnóstico pode ser feito por exame do cérebro do animal ou inoculação em animal de laboratório.

 Por prudência, não se deve permitir que crianças pequenas brinquem com cães, perto do seu prato de ração: eles podem atacar em defesa de sua comida. Animais silvestres também podem transmiti-la, como morcegos, mesmo que não sejam hematófagos.

No caso de ataque de animal, o cuidado inicial deve ser uma lavagem demorada da região, em água corrente com sabão, seguido da aplicação de iodo, enquanto se colhem informações do animal, se ele não for da casa, e, tentar capturá-lo para observação.Então, contate  seu médico para orientação

          A vacina atual liofilizada, feita em cultura de células Vero, reduziu  as reações colaterais ao seu uso. A vacina anterior utilizava cérebro de camundongo para cultivar o vírus, necessitando ainda do acréscimo de soro bovino. Continha 2% de tecido cerebral de roedores, além da possibilidade de transportar prions de origem bovina.  Em 2000 o estado de SP proibiu a fabricação da vacina usando tecido de camundongo, o mesmo acontecendo com o governo federal 2 anos após, começando a importação da França, a US$ 7 a dose. Atualmente o Instituto Butantan fabrica a vacina cultivando o vírus em células vero ( retiradas de rins de macaco verde africano Cercopithecus asthiops)- Trata-se de material biológico estável, sem risco de provocar problemas no homem, que pode ser obtido em banco internacional) por método próprio, que dispensa a adição de soro bovino, com menos DNA animal, ao preço de US$ 5, e 30 vezes mais potente.. O esquema de aplicação é de 5 doses aplicadas ao longo de 28 dias

O período de incubação da raiva em humanos varia de 1 a 2 meses. O risco de adquirir a doença por mordida é 50 vezes maior que por arranhão.

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Se tiver de se vacinar, peça esta vacina.  Deve ser aplicada nos casos em que não se pode garantir a saúde do animal, quando as lesões são extensas,   ou em regiões muito inervadas (pontas dos dedos) ou no rosto, cabendo ao médico a decisão do uso da vacina, e eventualmente, também o soro anti-rábico.

 

 

 

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