Doutor Carlos Leite

22 de dezembro de 2008

Vírus e bactérias

Arquivado em: Pediatria — admin @ 21:51

                                    Vírus e bactérias                                

 

 

                Bactérias são organismos vivos, compostos de uma só célula que se reproduzem          por divisão direta.   Diferente dos vírus, a maioria das bactérias não necessita parasitar células para       sobreviver.

               Embora as bactérias sejam responsáveis pela maioria das infecções humanas, de gravidades variáveis, podendo acometer qualquer tecido ou orgão, nem todas são danosas. Algumas são até  benéficas,  ocupando vácuos no organismo, que sem elas, poderiam ser ocupados por  por bactérias patogênicas:  constituem  a flora normal ou microbiota. Assim impedem a colonização desses locais pelas bactérias patogênicas, isto é, aquelas que tem potencial para causar doenças. 

              Algumas que habitam o intestino, produzem vitamina K, necessária à coagulação do sangue.  Essas bactérias se implaantam no intestino após a primeira amamentação, e por isto  todos recem nascidos têm de receber uma injeção de vitamina K logo após nascer.

              Quando destruídas pelo uso de antibióticos,  por exemplo, criam espaço para implantação de bactérias patogênicas que podem causar danos se alcançarem a intimidade do organismo.

            Todos conhecem a diarréia pós uso de antibióticos. Se a flora não é rapidamente recomposta, cria espaço para bactérias patogênicas.  Estas produzem toxinas que danificam as células que invadiram e provocam sintomas, como na diarréia pós antibiótico de largo espectro.

             Vírus são organismos compostos de núcleo de material genético revestidas de um envoltório. Eles precisam parasitar hospedeiros vivos como pessoas, plantas ou animais, para se manterem vivos e se multiplicar. Invadindo as células seus genomas passam a comandar o metabolismo celular,  que é re-dirigido para replicar o vírus.  

             Existem inúmeras categorias de vírus, classificados inclusive pela composição de seu núcleo.

            Alguns virus tem preferência por determinados tecidos (glandular, nervoso, pele, etc.) e provocam sempre um mesmo quadro clínico, que pode ser completo, atacando todos os tecidos de sua preferência, levando a quadro grave, ou apenas parte deles, com doença leve, ou até mesmo, doença sub-clínica (sem sintomas, diagnosticada apenas com exames). Esses vírus  causam doenças que têm nomes próprios: sarampo, catapora, paralisia infantil, gripe, dengue.           

           Outros tipos de vírus, apesar de preferir determinados tecidos, causam quadros clínicos variáveis: em um grupo provoca diarreia, em outros,  pneumonia,  outro artrite.   Naturalmente esses são conhecidos por seu nome genérico ( adenovirus, coxsakie, enterovirus, herpes, rinovirus, retrovirus,parvorirus etc.)         

         No seu modo de reprodução usam o interior de célula humana invadida, que passa a ser comandada pelo seu DNA ou RNA, que se multiplica. Normalmente êles destroem as células parasitadas para liberar aqueles multiplicados no seu interior, que, livres,  invadirão outras células, iniciando novo ciclo de multiplicação. Como se localizam dentro das células, fica difícil serem atingidos por antibióticos normais, sendo necessário o uso de medicamentos especiais: os anti-vírus.

          A distinção entre infecção por vírus e bactérias é importante porque medicamentos efetivos contra bactérias, antibióticos, não têm ação sobre os vírus e portanto não devem ser usados, pois podem atuar sobre a nossa microbiota, o que não é desejável. 

         Existem alguns sinais clínicos que nos ajudam a avaliar se a infecção é causada por vírus ou bactéria: nestas infecções a criança fica mais abatida devido a maior produção de toxinas pelas bactérias, mesmo quando a febre é controlada. Nas doenças virais, passada a febre,o bem estar da criança volta ao normal. Há diferença entre o a composição dos glóbulos brancos do sangue (leucócitos), e PCR :que aumentam mais nas infecções bactérianas.

        Podem ser contagiosos, tanto vírus quanto bactérias, mas sempre dependem do estado dos órgãos de defesa de cada paciente e da característica do microorganismo. Do mesmo modo, podem provocar epidemias ou apenas casos isolados.

       Ambos, vírus ou bactérias,  atuam nas defesas do organismo, estimulando a produção de  anticorpos, que  protegem contra  nova infecção pelo mesmo tipo de microorganismo. Exceto tétano e difteria,  cuja imunidade só se consegue com vacinas.

         O problema maior que enfrentamos no combate às bactérias é o desenvolvimento de resistência , pela capacidade de  produzirem novos enzimas de defesa, que neutralizam a ação dos antibióticos. Esses enzimas  podem ser passados a outras bactérias , transferindo a resistência. Estas bactérias são encontradas em ambiente hospitalar. 

         São as bactérias multi-resistentes, responsaveis por doenças graves, que exigem uso

  venoso de vários antibióticos ao mesmo tempo e geralmente por longos períodos.

        Esta é uma das razões para que o uso de antibióticos deve ser racionalizado, prescrito somente pelo médico, e usando, sempre que possível,  drogas de curto espectro, pelo tempo necessário.           

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